Assessor de imprensa das polícias de SP faz piada com morte de João Victor

Jornal GGN – Em meio a uma campanha nas redes sociais para boicotar a rede Habib’s em função da morte do menino João Victor, 12 anos, um assessor de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, órgão responsável pelas policias Militar e Civil, publicou uma mensagem em desprezo ao movimento. “Vou comer 50 esfihas. Só pra contrariar. E um beirute”, disse.

Segundo reportagem do Ponte Jornalismo, a SSP tangenciou o assunto alegando que o assessor Adriano Moneta não responde pela Comunicação do órgão e apenas emitiu uma opinião pessoal. A explicação do assessor foi a de que ironizava a forma da greve, não o episódio em si.

Do Ponte Jornalismo

Ontem, enquanto usuários do Facebook propunham boicotar o Habib´s por conta do menino João Victor, 13 anos — que morreu de parada cardiorrespiratória e teve o corpo arrastado por funcionários de uma lanchonete da rede na zona norte de São Paulo — o jornalista Adriano Kirche Moneta, assessor de imprensa da SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, achou que era um bom momento para fazer uma piada. E escreveu na rede social:

A secretaria do governo em que Moneta trabalha, como funcionário terceirizado da empresa CDN Comunicação, é a mesma responsável pelas polícias Civil e Militar do Estado de São Paulo, que atenderam e investigam a morte do menino. Até o mês passado, Moneta atuava como diretor executivo adjunto de imprensa e comunicação da SSP, segundo seu perfil no Linkedin.

A postagem do assessor, restrita aos seus amigos no Facebook, rendeu alguns emoticons de risadinha, mas também contestações. Houve quem respondesse com uma citação do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, que Moneta parece não ter entendido, e um seguidor que avisou: “Os justiceiros sociais de Facebook vão te linchar”.

No mesmo dia, o assessor apagou a postagem.

Questionada pela Ponte Jornalismo, a CDN afirmou, em nota, que a piada de Moneta era uma afirmação pessoal que não refletia a posição da empresa:

“A CDN Comunicação esclarece que a afirmação foi postada pelo colaborador Adriano Moneta em seu perfil pessoal, não refletindo a posição da empresa, que, aliás, possui um Código de Conduta que estabelece as diretrizes de uso e comportamento nas redes sociais.

Além disso, a CDN Comunicação informa que Adriano não é responsável pela Comunicação da Secretaria de Segurança Pública e tampouco está autorizado a emitir opiniões em nome da agência ou em nome da Secretaria.”

Atuando na SSP desde 2005, Moneta foi um dos responsáveis por dar continuidade à política, adotada pelo governo paulista na primeira gestão do tucano Geraldo Alckmin (2001-2006), de proibir o acesso dos jornalistas à íntegra dos boletins de ocorrência nas delegacias. Numa consulta feita em um fórum sobre temas jurídicos em 2009, contudo, o assessor admitia não saber se o procedimento que adotava era legal. “Não tenho o conhecimento jurídico adequado para saber se esse documento é ou não público”, escreveu.

Colegas

Moneta não é o primeiro homem da comunicação das polícias paulistas a adotar um comportamento pouco sociável nas redes sociais. Em outubro, o porta-voz da Polícia Militar paulista, major Edson Massera,  sugeriu, também num post de Facebook, que a Ponte Jornalismo seria financiada pelo crime organizado.

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