Augusto Aras acaba com o maior fator de corrupção do MPF

Há um componente financeiro não desprezível, nas negociações com outros países para dividir os recursos das multas aplicadas nas empresas. Não se tratava apenas de trazer para o país recursos que ficariam sob seu controle.

Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

A decisão do Procurador Geral da República Augusto Atas de acabar com as forças tarefas elimina o maior fator de corrupção da história do Ministério Público Federal.

Em qualquer corporação, o chamado compliance é implementado através da definição de instâncias de decisão, com todos os setores se reportando a outros. No caso das Forças Tarefas, o poder ficou enfeixado nas mãos de meia dúzia de procuradores e juízes. E, aí, todos os abusos foram permitidos.

O retrato que emerge dos diálogos da Vazajato mostram não apenas um esquema criminoso de manipulação de provas, de escutas ilegais, de manobras processuais indecentes. Há um componente financeiro não desprezível, nas negociações com outros países para dividir os recursos das multas aplicadas nas empresas. Não se tratava apenas de trazer para o país recursos que ficariam sob seu controle.

Até hoje não foram esclarecidas as relações entre procuradores e juízes com advogados de delação. O caso Marcelo Bretas-Nythalmar, o jovem advogado que, de um escritório de fundo de quintal, transformou-se em dono de aviões. Ou as ligações da Lava Jato Curitiba com os advogados de delação de lá. Ou mesmo as relações entre Sérgio Moro e seu amigo Zucolotto, apontado por Tacla Duran como intermediário de propostas obscrias:

A corrupção se manifestava em todos os níveis. Na tentativa de pressão sobre os Ministros, valendo-se das relações espúrias com a imprensa, como ocorreu nos preparativos da prisão de Lula. Havia um monitoramento em tempo real, visando identificar as estratégias da defesa e montar o contra-ataque.

Em um dos trechos, entendem que Lula iria se encontrar com Rosa Weber, e preparam uma ação na imprensa para intimidar a Ministra.

Depois, constatam que era engano, que a conversa seria com Dilma.

Mesmo na informalidade de uma conversa, é chocante a vulgaridade e o desprezo pela vítima:

Manifestava-se também quando fechavam os olhos para os abusos de Sérgio Moro.

E, finalmente, na maneira como negociaram as multas da Petrobras com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Estava claro para a Lava Jato que a multa imposta para a Petrobras era injusta e ia contra o espirito da própria operação – que apurava crimes contra a empresa.

Mas acabam se convencendo quando ficam sabendo do valor da multa e da possibilidade de compartilhamento com a força tarefa.

Muita água rolará ainda, na apuração dos abusos cometidos pela operação, em um período em que imprensa, Supremo e tudo avalizavam todos os abusos. Pelo menos interrompe-se o modelo que comprovou a máxima: excesso de poder corrompe.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora