Aumento de rendimentos de David Miranda foi comprovado

O GGN foi atrás dos rendimentos de Miranda: automaticamente seu salário duplicou entre o que recebia quando vereador e hoje como deputado federal, além de deter 18,75% e 1% de participação em empresas

Jornal GGN – Uma empresa da qual David Miranda é sócio de Glenn Greenwald, fundador do The Intercept e The Intercept Brasil, além dos negócios dos quais o casal mantêm juntos entraram para a mira de procuradores do Ministério Público do Rio pelo aumento do patrimônio do hoje deputado federal pelo PSOL, dois dias após o site publicar as mensagens de autoridades da Lava Jato.

Isso porque o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) enviou um relatório aos procuradores do Rio de Janeiro na mesma semana que o The Intercept Brasil começou a publicar as reportagens com base nas mensagens obtidas pelo jornal, envolvendo os membros da Lava Jato.

Hoje deputado federal, David Miranda é jornalista de carreira, atividade na qual exerceu ao lado de seu marido, na edição brasileira do jornal, cuja sede originalmente fundada nos Estados Unidos foi criada quando Greenwald obteve do ex-agente Edward Snowden os vazamentos dos dados da agência de segurança dos EUA, NSA, um dos maiores furos de reportagem dos últimos anos e que gerou ao jornalista investigativo diversos prêmios de sua carreira.

Miranda, por sua vez, trabalhou ativamente junto a Greenwald no caso de Snowden, chegando a ser detido pelo governo britânico justamente pelo trabalho que realizou, em 2013. É casado com o jornalista norte-americano há 14 anos, com o qual além das atividades de jornalista e como deputado federal, têm empresas e negócios em comum. Hoje, em meio ao ápice dos vazamentos que atingem a Lava Jato, o Coaf e o MP do Rio decidiram colocar o deputado na mira das investigações.

Trata-se de um documento enviado pelo Coaf ao Ministério Público do Rio que caracteriza como “movimentações atípicas” cerca de R$ 2,5 milhões em sua conta bancária, entre os dias 2 de abril de 2018 e 28 de março de 2019. O caso que tramitava sob sigilo de Justiça e veio hoje à tona avançou na suposta ilegalidade das movimentações de Miranda.

Isso porque o próprio juiz da 16ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, juiz Marcelo da Silva, considerou que o deputado, assim como outras quatro pessoas nos pedidos de investigação dos procuradores, tinha o direito “do contraditório” e impediu que os procuradores quebrassem o sigilo fiscal e bancário do parlamentar antes que ele fornecesse explicações.

Em nota, David Miranda afirmou que o caso está tramitando nesta etapa e sua defesa separando os documentos para comprovar a legalidade de todas as movimentações financeiras em sua conta e que se trata de “uma quantia totalmente compatível com a renda de nossa família”. Ainda, informou que qualquer pessoa pode verificar as remunerações de seu marido, Glenn, nas empresas uma vez que são ONGs.

“Para além da renda de parlamentar, possuo sociedade com meu marido em uma empresa com projetos importantes. O salário anual do Glenn — como co-fundador e jornalista investigativo do portal The Intercept e da Intercept Brasil — é informação pública, porque essas empresas são ONGs. Qualquer jornalista pode compará-lo com os valores reportados pelo COAF para constatar a compatibilidade óbvia. Além disso, seus projetos — dos quais participei como parceiro — incluem livros que figuram nas listas dos mais vendidos do mundo, filmes e palestras”, notificou.

Miranda recebe R$ 33,7 mil de salário como deputado federal [detalhes aqui], cargo que assumiu este ano. Entre 2017 e 2019, Miranda era vereador, recebendo um salário bruto de aproximadamente R$ 18,8 mil, correspondendo a aproximadamente R$ 15 mil líquidos. De forma direta, contando apenas seu salário pelas funções públicas da qual exerce e excerceu, sua remuneração duplicou no período analisado pelo Coaf.

Além disso, em 2016, David declarou deter 18,75% de participação na empresa Ensuli Management LLC, em Nova York, de sociedade de seu esposo, que naquele ano equivalia a R$ 73,125 mil, além de mais 1% na empresa Enzuli Viagens e Turismo Ltda, do qual Greenwald é sócio.

Na nota, o deputado informa também que a movimentação considerada “atípica” pelo Coaf é, na verdade, o dobro do que efetivamente se manteve em sua conta bancária, uma vez que soma entrada e saída de recursos. Dessa forma, ele mesmo publicou que a movimentação financeira é de R$ 1,3 mi, e não R$ 2,5 milhões.

Para o parlamentar, as medidas do Ministério Público do Rio são estratégias de “retaliação e desinformação deliberada”, uma vez que ocorre dois dias depois que seu marido deu início às publicações do The Intercept Brasil envolvendo a Lava Jato. Miranda disse, ainda, que os seus rendimentos serão explicitados “detalhadamente” à Justiça.

“Na semana passada, o juiz negou o pedido do MP-RJ para quebrar meu sigilo bancário, para que eu pudesse enviar os documentos que demonstram a origem dessa renda. Nossos advogados estão fazendo exatamente isso para cumprir a ordem do juiz. A única ilegalidade existente é a praticada por aqueles que vazam essas informações para prejudicar minha reputação como retaliação pelas reportagens do Intercept”, afirmou.

O GGN prepara uma série de vídeos explicando a interferência dos EUA na Lava Jato. Quer apoiar esse projeto? Acesse www.catarse.me/LavaJatoLadoB e saiba mais.

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