Bolsonaro estuda recorrer ao TSE para que PSL seja obrigado a abrir suas contas

Líder do PSL na Câmara, ligado ao presidente do partido, diz que grupo que apoia Bolsonaro dentro na crise política 'está atrás da chave do cofre'

Jornal GGN – A crise entre Jair Bolsonaro e o partido pelo qual foi eleito ao Palácio do Planalto, PSL, segue em ascensão. Segundo informações da coluna de Natuza Nery, no G1, os advogados do presidente da República estudam recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o partido abra suas contas.

Os ataques de Bolsonaro contra o próprio partido começaram na semana passada, após novas matérias da Folha de S.Paulo sobre o escândalo de candidaturas laranjas, usadas pelo PSL nas eleições passadas para desviar recursos partidários.

Uma reportagem, divulgada há cerca de uma semana pela Folha de S.Paulo, revelou que, em depoimento à Justiça, um ex-assessor do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, comentou que “parte dos valores depositados para as campanhas femininas”, empregadas como laranjas do partido, “na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”.

A matéria trouxe ainda dados de uma planilha apreendida em uma gráfica pela PF sugerindo que o dinheiro desviado de candidatas laranjas do PSL mineiro foi desviado como caixa dois para a produção de materiais das campanhas de Bolsonaro e Álvaro Antônio.

Dois dias após a reportagem, o presidente Jair Bolsonaro foi gravado pedindo a um apoiador que o aguardava na saída do Palácio da Alvorada para esquecer o PSL e ainda que o presidente nacional do partido deputado federal Luciano Bivar (PE), ‘estava queimado’.

Desde então, a troca de farpas entre Bivar e Bolsonaro vem aumentando dividindo o PSL em duas alas. A avaliação inicial é que Bolsonaro quer descolar sua imagem dos escândalos expostos pelo PSL.

Na sexta-feira (11), o ex-ministro do TSE e atual advogado de Bolsonaro, Admar Gonzaga, formalizou ao PSL um pedido para que o partido compartilhe dados financeiros nos últimos cinco anos.

“Se as respostas não vieram em cinco dias, vamos ao TSE”, disse um aliado do presidente da República sob condição de anonimato ao blog de Natuza Nery.

Bolsonaro vem utilizando a expressão “caixa preta” para se referir à cúpula do PSL. Ele estuda sair do partido. Mas boa parte da ala que o apoia dentro da sigla, formada por deputados federais e estaduais, se decidir deixar o PSL perderá o mandato, por causa da regra da fidelidade partidária.

Também para o G1, desta vez ao blog de Valdo Cruz, o líder do PSL na Câmara, deputado Delegado Waldir, que é ligado a Luciano Bivar, disse que os parlamentares da sigla que tomaram partido de Bolsonaro na briga “estão atrás da chave do cofre” do PSL.

“Não temos uma janela partidária agora, então, se sair, há o risco de perda de mandato, e nós não queremos isso, mas também não vamos ser submissos a um desejo de uma ala ligada ao presidente que quer tomar conta do pote de ouro do partido”, pontuou.

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