Dilma entrega ao TSE prova de que Temer não pode dividir chapa

A conta eleitoral de Michel Temer não bancou nem 1% da campanha de 2014. Foi usada majoritariamente para transferir recursos a candidatos do PMDB. Para a campanha presidencial mesmo, Temer usou apenas R$ 3 milhões, sendo que R$ 2 milhões pagaram uma gráfica cujo proprietário é amigo de Eliseu Padilha

Foto: EBC

Jornal GGN – A defesa da ex-presidente Dilma Rousseff entregou ao Tribunal Superior Eleitoral, nesta terça (4), a prova de que Michel Temer não pode alegar que nada teve a ver com o caixa de campanha do PT em 2014, na tentativa de dividir a chapa e se livrar da cassação. 

Segundo os documentos apresentados, a conta eleitoral de Temer foi usada majoritariamente para distribuir recursos para outros candidatos do PMDB. Os recursos arrecadados por ele e empregados diretamente em sua campanha são ínfimos, ou seja, a maior parte das despesas tiveram de ser bancadas pelo PT, inclusive os gastos de hospedagem, transporte, alimentação, assessores, peças de TV, entre outros que beneficiaram diretamente o peemedebista. 

Em nota à imprensa, a defesa informa que a campanha arrecadou, para a eleição passada, R$ 350 milhões, sendo R$ 330 milhões nas contas em nome de Dilma e R$ 20 milhões da Temer. Do total arrecadado por Temer, quase R$ 17 milhões foram transferidos às candidaturas estaduais do partido. “Ou seja, a conta de Temer foi usada como ‘conta de passagem’ para os candidatos do PMDB.”

Os documentos ainda comprovam que os R$ 3 milhões arrecadados por Temer e usados na campanha com Dilma representa menos de 1% do total arrecadado. A defesa ainda revelou que desse total, “R$ 2 milhões tiveram como destino a  contratação de um único fornecedor: a Gráfica Noschang, propriedade de um amigo de Eliseu Padilha, localizada em Tramandaí, no Rio Grande do Sul”.

“(…) a conta bancária utilizada por Temer, que integra a única prestação de contas da chapa, não teve relevância para a realização da campanha presidencial, sendo mera ‘conta de passagem ao PMDB’. Além do mais, fica claro que o candidato a vice foi diretamente beneficiado pela arrecadação das demais contas-correntes de campanha sob a titularidade da presidenta reeleita em 2014”, sustenta a defesa.
 
De acordo com comprovantes de despesas, Temer teve “fretamento de avião particular, alimentação, hospedagem, locomoção, salários da chefe de gabinete, assessores de imprensa, advogado e todo o material gráfico, além de gastos com palanques, comícios e carreatas, bem como de todo material publicitário de TV e internet desenvolvido pela equipe de João Santana”, custeados pela conta do PT. Esses comprovantes foram assinados por Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma.
 
O julgamento da ação de cassação começou nesta terça (4). A audiência foi adiada para que novos depoimentos sejam tomados. Dilma, em entrevista à Folha de hoje, disse que o TSE não deveria usar delações sem provas para aplicar uma sentença contra a chapa. Ela também disse que Temer não pode afirmar que nada teve a ver com a campanha do PT, já que teve quase todas as despesas custeadas pelo partido.
 
Leia a nota completa da defesa de Dilma aqui.
 
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