Capez se diz traído e é elogiado por desembargador em depoimento

Jornal GGN – Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, prestou depoimento à Justiça na investigação sobre o esquema de pagamento de propina em contratos da merenda escolar do governo Geraldo Alckmin (PSDB) e foi elogiado pelo desembargador Sergio Rui, relator do processo.

Rui afirmou que Capez é um homem bem-sucedido”, “professor reconhecidamente consagrado” e “político festejado”, elogiando também o advogado do deputado estadual. O tucano foi pouco confrontado sobre as citações feitas durante a investigação e negou novamente o envolvimento no esquema.

Marcel Ferreira Júlio, lobista da cooperativa envolvida no esquema e que tem acordo de delação com a Justiça, afirmo que foi três vezes ao escritório político do presidente da Assembleia. Capez negou conhecer Marcel e qualquer diretor da cooperativa.

Leia mais abaixo:
 
Da Rede Brasil Atual
 
 
Presidente da Assembleia Legislativa paulista foi pouco confrontado e voltou a negar qualquer envolvimento no esquema de corrupção
 
por Rodrigo Gomes

O depoimento do presidente da Assembleia Legislativa paulista, Fernando Capez (PSDB), fugiu à regra dos demais depoimentos dados pelos investigados no esquema de pagamento de propina em contratos da merenda escolar do governo Geraldo Alckmin (PSDB). O desembargador Sergio Rui, relator do processo, iniciou a oitiva tecendo elogios ao parlamentar, destacando que ele é “um homem bem-sucedido”, “professor reconhecidamente consagrado”, “político festejado” e”recordista das eleições”, em referência a Capez ter sido o deputado mais votado de São Paulo, na eleição de 2014.

Sergio Rui também exaltou o advogado do parlamentar, Alberto Zacharias Toron, “senão o melhor, um dos melhores advogados criminalistas da nação”. Não foram feitas perguntas relativas às citações feitas a Capez durante a investigação. O magistrado encerrou sua fala citando Maquiavel – sobre a importância da escolha dos aliados para o destino de um grande líder – e perguntando ao deputado se ele se equivocou na escolha dos assessores ou se foi traído em sua confiança.

Respondendo aos procuradores de Justiça, Capez foi questionado sobre a participação de seu cunhado, Rogério Auad Palermo, em sua campanha. Ele e sua mulher, Maria Cristina Palermo, tiveram os sigilos bancários quebrados a pedido dos investigadores. O motivo é que o lobista da Cooperativa Orgânica da Agricultura Familiar (Coaf) Marcel Ferreira Júlio, que teria sido o gerenciador do repasse de propina, citou Palermo em sua delação. O cunhado de Capez é administrador do Instituto Brasileiro de Ciência Jurídica, empresa por meio da qual o deputado recebe os direitos autorais de suas publicações.

Doadores

Capez negou que Palermo tenha sido seu coordenador de campanha. No entanto, admitiu que ele assinou a prestação de contas sob essa responsabilidade. “Quando você vai fazer a prestação de contas, precisa, burocraticamente, de três pessoas para subscrever essa prestação de contas: o advogado Anderson Pomini assinou, o contador assinou e o Rogério, que não coordena nada, assinou também e nós entregamos a prestação de contas. Quem coordena sou eu, eu converso com as pessoas, eu abraço as pessoas, eu viajo incessantemente”, relatou o deputado.

No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consta na relação de doadores de campanha do deputado um “termo de prestação de serviço voluntário de 27/7 a 5/10. Coordenador e administrador financeiro” em nome de Palermo. O valor do serviço foi estimado em R$ 10 mil. O cunhado de Capez também realizou repasse de R$ 2.500 para José Merivaldo, ex-assessor do deputado, alegando ter contratado com ele serviços de despachante.

Para o presidente da Assembleia, estabelecer relação entre esses fatos – administrador do instituto, coordenador de campanha, repasse para assessor – “é muito frágil”. “Eu não tenho nada a ver com a vida financeira do meu cunhado”, afirmou.

Capez reafirmou no depoimento que não recebeu propina, não conhece nenhum diretor da Coaf e que não conhece o lobista da cooperativa, Marcel Ferreira Júlio. “Como é que eu posso dizer que eu conheço uma pessoa que eu sequer consigo descrever fisicamente, que eu não lembro de ter conversado com ele em momento algum?”, afirmou.

O depoimento de Capez se choca com os dos demais investigados em vários pontos. Também em depoimento ao desembargador Sergio Rui, o ex-presidente da Assembleia Leonel Júlio, pai de Marcel, disse que os dois se conheciam. “Muito. Conhece, conhece. Ele também teve festa, esteve já, esteve… Conhece, lógico que conhece, muito”, disse Leonel.

Delação

Marcel mantém um acordo de delação premiada com a Justiça paulista. No documento, o lobista diz ter ido três vezes ao escritório político de Capez, na Rua Tumiarú, próxima à Assembleia. Ele deu detalhes do local e disse ter conversado com outro assessor do deputado, Luiz Carlos Gutierrez, o Licá, com quem deixou documentos sobre a chamada pública vencida pela Coaf, mas que não tinha prosseguido.

O lobista disse também que o próprio deputado teria ligado na Secretaria da Educação e falado com o chefe de gabinete da pasta, Fernando Padula, sobre a situação. No depoimento, Capez disse não ter feito “nenhum contato” com a secretaria. “Eu nunca falei com o Padula na minha vida”, afirmou.

Posteriormente, Marcel disse que foi procurado por Jeter, que informou que o contrato seria maior e teriam que resolver “a questão financeira”. Quando a Chamada Pública foi concluída, Jeter o teria procurado. “Viu lá a publicação? Tudo como combinamos. Agora precisamos falar de valores. Eu quero 2% do contrato, mais R$ 450 mil para ajudar na campanha (do deputado Capez)”, teria dito Jeter, segundo o lobista.

“Jeter disse que, se não honrássemos o acordo, eles bloqueariam os pagamentos do governo estadual”, relatou Marcel. O lobista disse ter efetuado os pagamentos e que os respectivos recibos foram entregues por ele à Justiça.

O deputado também ressaltou que não era próximo de seu ex-assessor Jeter Rodrigues, que só “ficava ali ajudando a atender telefone”; e se disse traído pelo outro assessor José Merivaldo. “Para mim, foi uma surpresa e uma decepção por ele ter indicado o Jeter para ir até o local”. E prossegue: “Nem se eu tivesse uma bola de cristal, doutor Nelson, eu poderia supor ou adivinhar que um funcionário, de dentro do gabinete, assinaria um contrato de prestação de serviços para uma cooperativa, que tem contrato público”.

Porém, segundo Leonel, Jeter atuou na campanha eleitoral do deputado. “Trabalhou. Na última. A primeira eu não conhecia ele, muitos anos, ele também me conhece e depois eu o revi, de muito tempo lá, na campanha, da primeira, da Rua Tutoia (onde então ficava o escritório político do deputado)”, relatou.

Com Jeter, a investigação encontrou movimentação suspeita de R$ 122 mil, em 2015, ano em que a propina teria sido paga. Além disso, a Justiça também encontrou outros R$ 500 mil em movimentações financeiras de origem não declarada, com Merivaldo. Os valores são compatíveis com a declaração de Marcel sobre o repasse da propina.

Outro ponto relativo à Jeter é o carro que a Coaf teria emprestado à campanha de Capez. Novamente, o deputado negou. “Eu não pedi carro nenhum para a Coaf. (…) Esse carro sequer constou da nossa relação e não haveria nenhuma razão, na época, para que, se ele tivesse sido usado, não constasse”, explicou Capez.

No entanto, outros ouvidos pela Justiça confirmam que houve o empréstimo de um carro da cooperativa à campanha dele. Inclusive o presidente da Coaf, Cássio Chebabi, que também disse que na coopeativa “chegou muito material do Fernando Capez para o (vendedor) Cesar (Bertolino), então, mostrou que realmente existia um vínculo com o deputado”. Leonel chegou a dizer no depoimento que pode provar que a campanha recebeu um carro da cooperativa.

 

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14 Comentários

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Schell

- 2016-11-30 12:12:04

diz o ditado que ladrão que

diz o ditado que ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão e, no caso, caberia que "... que ajuda ... tem perdão eterno?

Bando é pouco. Muito pouco. Quase nada.

Clovis 50

- 2016-11-30 12:06:51

Em tucanistão tucano tem

Em tucanistão tucano tem cidadania garantida. Aliás assim deferia ser com todos os que tivessem cidadania. Em banandioca, como como poucos têm cidadania, é diferente.

vera lucia venturini

- 2016-11-30 10:28:08

(Sem título)

Resultado de imagem para banana

martos venicio

- 2016-11-30 10:01:25

Capez é um homem bom, o

Capez é um homem bom, o desembargador é que não vale nada.

bonobo de oliveira, severino

- 2016-11-30 06:56:52

Os princípios da Justiça.

Os princípios da impessoalidade, imparcialidade, transparência e aquelas coisas todas que a letra morta da LEI enunciava, foram trocados pelo judiciário brasileiro. Na sua opção preferencial consolidada pelo crime organizado, o judiciário troca a imparcialidade pela cumplicidade escancarada com o criminoso aliado aos seuas interesses corporativos mesquinhos. Enquanto serve de ferramenta de luta partidária produzindo e divulgando denúncias sem provas contra os seus inimigos comuns, por meio de utilização das regras do "direito em movimento". Aquele direito criado e renovado em cada audiência ou sentença, de acordo com as preferências da otoridade judicante.

MARCONE FERREIRA LINS

- 2016-11-30 03:18:22

E agora sem investimento com

E agora sem investimento com a PEC 55.

Geraldo Galvão

- 2016-11-30 01:25:42

O Capez saiu do script

Tucano corrupto nunca é denunciado e processado. O Capez sabe-se lá como - alguém deu uma cochilada, e ele chegou diante de um juiz - que como nunca tinha visto um tucano sendo processado achou que estava no salão nobre da Assembleia Legislativa de S. Paulo, e começou a elogiar o Deputado, e estava tão feliz com a oportunidade que elogiou também o acompanhante sem lembrar que um era réu, e o outro advogado de defesa.

Roxane

- 2016-11-30 00:17:19

Perderam qualquer senso de

Perderam qualquer senso de vergonha na cara! E estamos sob o tacão desta corja. Acho que esta manifestação do "desembargador' deveria ser mandada para o maior número possível de orgãos da imprensa fora do país. Se eu falasse bem outras línguas traduziria e enviaria.

Gersier

- 2016-11-29 22:32:57

whatsapp

"Acertô miseravi"  (do whatsapp)

Sem merenda e sem salas de aula e acusado pela mídia tucana de "vândalo".

Gersier

- 2016-11-29 22:29:40

Santinho

É TUCANO?  É santo e de pau oco.

O tal desembargador também é tucano? Como diria aquele personagem humorístico: "não precisa explicar",mas ao contrário do dito cujo, eu entendo.

Wagner Pinheiro Da Fonseca

- 2016-11-29 21:28:35

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Francisco Andrade

- 2016-11-29 21:11:37

o judiciário paulista...

"julgando" ... um tucano, ... alguém tem dúvida do resultado....  acho que o culpado foi o aluno pobre que ficou sem merenda ...

Jorge Luis

- 2016-11-29 20:57:18

Ficção?

[video:https://www.youtube.com/watch?v=NdIqyc-jSSs]

Crazy Horse

- 2016-11-29 20:19:06

Ta dominado ta tudo dominado

Ja falei, ta tudo dominado

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