Caso Marielle: Moro pede que PGR instaure investigação sobre matéria da Globo

Reportagem mostra que suspeito da morte de Marielle se reuniu com outro acusado no dia do crime e alegou que iria à casa de Bolsonaro; Moro diz que matéria é inconsistente

Jornal GGN – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, enviou um ofício ao Procurador-Geral da República, Augusto Aras, pedindo a instauração de um inquérito para apurar, “em conjunto, pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal”, matéria do Jornal Nacional, veiculada na TV Globo.

A emissora mostrou que um dos suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, se reuniu com outro suspeito, no dia do crime e, ainda, disse na portaria do condomínio que faria uma visita ao presidente, Jair Bolsonaro, na época deputado federal.

No pedido para a aquisição de instauração de inquérito, Moro não fala em se aprofundar nas investigações para apurar as suspeitas de ligação entre Bolsonaro e a morte de Marielle. Pelo contrário, o ministro levanta suspeitas sobre as circunstâncias em que a reportagem obteve as informações, posicionando-se como defensor do chefe do Planalto.

“A própria reportagem esclarece, porém, que, na referida data, o Exmo. Sr Presidente da República, então deputado federal, estava em Brasília, tendo registrado a sua presença em duas votações no Plenário da Câmara dos Deputados, com o que não poderia ter sido visitado na mesma data no Rio de Janeiro por referida pessoa”, escreve Moro.

Especificamente, o ministro pede para investigar o depoimento do porteiro do condomínio de Bolsonaro, na Barra da Tijuca.

Moro segue no ofício colocando sob dúvida a idoneidade da investigação sobre a morte de Marielle conduzida no Rio de Janeiro, afirmando que “a inconsistência”, observada na matéria da Globo, isso é, a informação de que um dos acusados disse que iria na residência de Bolsonaro em um dia que o então parlamentar estava em Brasília, “sugere possível equívoco da investigação” e “eventual tentativa de envolvimento indevido do nome do Presidente da República no crime em questão”, “pode configurar crimes de obstrução à Justiça, falso testemunho ou denunciação caluniosa, neste último caso tendo por vítima o Presidente da República, o que determina a competência da Justiça Federal e, por conseguinte, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal”.

O Jornal Nacional conta que teve acesso, com exclusividade, a registros da portaria do Condomínio Vivendas da Barra, local onde Bolsonaro tem residência e onde também mora o principal suspeito de matar a vereadora Mariele, Ronnie Lessa.

Além do registro que fica na entrada do condomínio de casas, em depoimento à polícia, o porteiro contou que, horas antes do assassinato, no dia 14 de março de 2018, outro suspeito do crime, Élcio de Queiroz, entrou no condomínio e disse que iria para a casa do então deputado Jair Bolsonaro.

Os registros de presença da Câmara dos Deputados, ao mesmo tempo, mostram que Bolsonaro estava em Brasília no dia.

Para reforçar seu pedido de abertura de inquérito, Moro disse que a investigação sobre o assassinato de Marielle já sofreu “espúria obstrução da Justiça, com a introdução de testemunha que fraudulentamente apontou falsos suspeitos para o crime.”

MORO

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6 comentários

  1. Sabe-se que não se pode servir a dois senhores. Moro atenderá a quem ? Globo ou Bolsonaro ?
    Moro sabe que a Globo está executando um novo golpe para colocar o general Mourão na presidência. Vamos ver como se comporta o criminoso juiz de Curitiba.

  2. “…estava em Brasília, tendo registrado a sua presença em duas votações no Plenário da Câmara dos Deputados, com o que não poderia ter sido visitado na mesma data no Rio de Janeiro por referida pessoa”, escreve Moro.
    Bolso estar em Brasília não impede que o Queiroz (o Elcio, não o Fabrício) o procure no condomínio. Na época Bolsonaro era simples deputado. Provavelmente Elcio não sabia que Bolsonaro não estava lá.
    O porteiro não disse que viu Bolsonaro. Disse que ligou para a casa 58 duas vezes.

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