Com histórico de homenagens, Moro recusa a que seria entregue por Cunha

A negativa à Câmara difere de todas as posturas que o magistrado já tomou em prêmios diversos: dois de O Globo, de Sindicato, e outro que também homenageia o Papa
 
Sergio Moro, em celebração do prêmio Faz Diferença, de O Globo, ao lado do diretor Ascânio Seleme
 
Jornal GGN – Depois de somar homenagens de “Personalidade do Ano” do jornal O Globo, do “Faz Diferença” do mesmo grupo, do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná e receber o título de cidadania benemérita, ao lado do Papa, pela Assembleia Legislativa do Estado, a medalha que seria entregue pelas mãos do deputado investigado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi negada pelo juiz.
 
Na resposta encaminhada à Câmara dos Deputados, Moro agradece o prêmio, mas diz que “como há parlamentares federais denunciados” na Lava Jato, não se sente “confortável” em receber a Medalha do Mérito Legislativo.
 
A indicação de quem seria o homenageado pela Casa foi feita pelo PPS, no dia 17 de agosto. Na mesma semana, Cunha foi denunciado pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, com base nas investigações comandadas por Moro, de que o peemedebista recebeu, pelo menos, US$ 5 milhões do esquema de corrupção da Petrobras.
 
“O juiz Sérgio Moro dá esperança para milhões de brasileiros que não aguentam mais a corrupção entranhada nas estruturas de governo. (…) Exerce a Justiça de verdade. Aquela onde ninguém, por mais poderoso que seja, está acima da lei”, disse o líder do PPS, Rubens Bueno (PR), justificando o prêmio. 
 
Todos os anos, a entrega da medalha é feita pelo presidente da Câmara. A homenagem ocorreria no próximo dia 18.
 
A negativa à Câmara difere de todas as posturas que o magistrado tem tomado, desde que as investigações da Operação Lava Jato ganharam destaque nos jornais, levantando o nome do juiz para homenagens diversas. 
 
Em seu histórico, Moro foi homenageado em outubro deste ano pelo Sinduscon-PR, Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná. Durante o evento em que esteve presente, o juiz discursou que “não existe bala de prata contra a corrupção”, que é “preciso cultura de respeito às regras e ao Estado de Direito” e que “não se pode ter uma moralidade dúbia“.
 
Também neste ano, Moro foi apoiado em diversas manifestações de rua, ganhando inclusive um boneco gigante de Olinda, em Pernambuco, como um tributo da população, além de referências em shows de cantores, como o cearense Fagner, que chegou a compor uma música dedicada ao juiz da Lava Jato.
 
As homenagens da população foram agradecidas, publicamente, por Sergio Moro em seu discurso proferido quando recebia outro prêmio: o “Faz Diferença”, do jornal O Globo, no dia 18 de março deste ano. 
 
“Eu particularmente fiquei extremamente tocado pelas manifestações populares. Claro que os grupos que foram às ruas. Claro que os grupos que foram às ruas são grupos plurais, as ideias não são todas comuns, é possível ter divergência em relação a alguns posicionamentos. Mas é muito bonito, dentro de uma democracia, ver o povo na rua”, disse.
 
O juiz já havia sido eleito “Personalidade do Ano” pelo mesmo jornal e, no discurso do segundo prêmio, Moro chegou a afirmar que estava “constrangido” por receber a homenagem, uma vez que o julgamento não tinha terminado, e dedicou 12 minutos para “prometer fazer o melhor para julgar o caso”. “Eu tenho fé que, com o apoio da opinião pública, da população, nós possamos caminhar adiante com esse processo”, completou. Na ocasião, frisou o apoio da imprensa e justificou que “existe um compromisso da Justiça com a publicidade do processo”.
 
Na descrição do próprio jornal para anunciar o premiado, O Globo elencou que Sergio Moro é “discreto” e “tomou uma decisão que surpreendeu o Brasil pelo ineditismo e pela coragem”. “É nas mãos de Moro, de 42 anos, que está o julgamento do crime de corrupção mais estrondoso do Brasil, que desviou milhões da Petrobras”, completou o descritivo. [Leia mais aqui]
 
Em outra homenagem, ainda em 2014, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) concedeu o título de cidadão paranaense benemérito a Sergio Moro, juntamente com o Papa Francisco. 
 
 
 

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