Com novo despacho de Moro, começa a ser desenhada a segunda sentença de Lula

Uma nova sentença contra Lula começa a se desenhar. De novo, sem que fique claro como as imputações feitas pelo Ministério Público têm ligação com a Petrobras. De novo, com o juiz impedindo produção de provas que ajudariam a elucidar as dúvidas. De novo, com a delação de um réu interessado em cair nas graças das autoridades, ainda que sem acordo formal
 
 
Jornal GGN – Sergio Moro proferiu um despacho nesta terça (19) que aparentemente blinda a mais nova história contada por Glaucos da Costamarques contra Lula – já é a quinta versão dos fatos, nas contas da defesa.
 
Os advogados de Glaucos – dono de um apartamento que a Lava Jato diz que foi comprado para Lula com recursos da Odebrecht – pediram a Moro que intime, novamente, o Sírio Libanês a levantar dados que comprovem que o advogado Roberto Teixeira esteve no hospital para tratar do pagamento do aluguel do imóvel a partir do final de 2015.
 
Foram solicitadas até as imagens de vídeo para que se possa eventualmente detectar se Teixeira entrou no hospital sem ter registrado sua presença oficialmente.
 
A solicitação foi negada sob dois argumentos curiosos: o primeiro dá a entender que Glaucos trocou de defesa e que o pedido dos novos advogados foi feito em momento inoportuno, já que o processo está na reta final. O segundo motivo cria uma série de empecilhos para que as imagens não sejam analisadas:
 
“Quanto aos vídeos, nada garante que o hospital mantenha até hoje os registros de vídeo de ingresso no estabelecimento de 2015, nada garante que todas as entradas eram filmadas, nada garante que as gravações sejam de boa qualidade e, mesmo se obtidos os vídeos, ainda seria necessário examinar todas as gravações na expectativa de identificar Roberto Teixeira ingressando no loca. Não esclarece a defesa quem iria realizar esse exame”, anotou Moro.
 
Em tese, seria de interesse da Lava Jato que a prova solicitada por Glaucos fosse deferida. Afinal, se ele diz a verdade, provavelmente Roberto Teixeira poderia ser visto em alguma gravação.
 
Mas e se Teixeira não for visto nas imagens e a nova versão de Glaucos parecer tão frágil quanto as anteriores?
 
A SENTENÇA GANHA FORMA
 
Tudo indica que a fórmula “condenar com indícios acima da dúvida razoável” vai ser reciclada no segundo processo ao qual Lula responde sob a batuta de Moro, por suposto recebimento de vantagem indevida da Odebrecht. 
 
A missão dos procuradores de Curitiba era provar que os recursos que foram empregados na compra de um imóvel nunca usado pelo Instituto Lula e de um apartamento que pertence a Glaucos da Costamarques sairam de desvios praticados na Petrobras, que envolvem 8 contratos.
 
Muito distante disso, a Lava Jato, com ajuda da grande mídia, transformou a complexa ação penal de Lula em uma celeuma sobre o aluguel do apartamento de Glaucos. 
 
O que a imprensa esqueceu de informar é que documentos da Receita Federal mostram que Glaucos recebeu empréstimos milionários de seus filhos nos últimos anos, num total aproximado de R$ 8 milhões. De onde viriam esses recursos? A Lava Jato ameaçou investigá-los? Teria sido este o motivo de Glaucos ter mudado o depoimento que prestou à Polícia Federal para incriminar Lula?
 
Os problemas da Lava Jato começaram quando a defesa de Lula apresentou os recibos e comprovou, após submetê-los a perícia técnica, que eles não foram fraudados materialmente.
 
Glaucos, o dono do apartamento, ficou em silêncio durante semanas. No primeiro depoimento que prestou a Moro, jamais havia falado em recibos, muito menos sobre a hipótese de ter falsificado os documentos para ajudar Lula. Glaucos só se preocupou em derrubar mais uma prova que conta a favor do ex-presidente: o fato de que declarou, ano a ano, o recebimento do aluguel à Receita. Justamente a prova que já era de conhecimento dos procuradores, ao contrário dos recibos.
 
De volta a Curitiba para novo depoimento, Glaucos se comportou novamente como um delator informal e ajudou a Lava Jato a encampar a tese dos “recibos ideologicamente falsos”. Ele admitiu que assinou os documentos, mas afirmou que só o fez porque precisava espelhar a declaração de imposto de renda de Lula: se o petista informava que pagava, o primo de Bumlai tinha que informar que recebia, para não levantar suspeitas.
 
Uma nova condenação de Lula começa a se desenhar, a partir da tese da falsidade ideológica. De novo, sem que fique claro como as imputações feitas pelo Ministério Público têm ligação com a Petrobras. De novo, com o juiz impedindo produção de provas que ajudariam a elucidar as dúvidas. De novo, com a delação de um réu interessado em cair nas graças das autoridades, ainda que sem acordo formal.

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