Condenação isolada e com brechas de filha de Paulo Preto levanta suspeitas

A única relação de Tatiana com os crimes imputados é que uma funcionária de seu marido foi incluída entre as beneficiárias ilegais. Mas o esposo não está entre réus

Foto: Agência Câmara

Jornal GGN – Na condenação do operador do PSDB, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, a filha do ex-diretor da Dersa, Tatiana Arana de Souza Cremonini, também foi sentenciada a 24 anos e três meses de prisão. Sem argumentação suficiente para incriminá-la, a suspeita é que a condenação contra a filha busca pressionar por uma colaboração do pai.

Tatiana também foi incluída na acusação contra seu pai, de formação de quadrilha, desvio calculado de R$ 7,7 milhões (mais de R$ 10 milhões atuais) de dinheiro público e inserção de dados falsos em sistema público de informação, no esquema de reassentamentos do trecho sul do Rodoanel, obra do estado de São Paulo.

Paulo Preto teria intercedido a favor de quatro funcionárias suas por meio de unidades da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) e auxílios-mudança, que eram destinados aos atingidos pela obra, os reassentados.

Além disso, outros 1773 pagamentos indevidos de indenizações pelas obras foram identificados, ainda, com supostos desalojados para as obras de prolongamento do complexo viário de Jacu Pêssego.

Paulo Vieira de Souza foi sentenciado a apenas um dia do prazo para valer a prescrição, porque o operador tucano completou 70 anos hoje, e a partir de agora as punições podem ser reduzidas pela metade do tempo estimado.

Mas além dele, a juíza da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Maria Isabel do Prado, incluiu entre os sentenciados o ex-chefe do departamento de assentamento da Dersa, José Geraldo Casas Vilela, a 145 anos e 8 meses de prisão, a ex-funcionária da Dersa e delatora, Mércia Ferreira Gomes, a 12 anos e 15 dias, e a filha de Paulo.

A justificativa para as penas contra Paulo Preto e Vilela dada pela juíza é que eles estariam envolvidos nos três crimes denunciados. Mércia, a terceira condenada, obteve uma pena menor apenas porque contribuiu com a Justiça e obteve a redução de sua sentença, que acabou sendo convertida a duas restrições de direitos e ao pagamento de multa.

Já Tatiana foi sentenciada a 24 anos e três meses de prisão e teve a pena convertida em medidas de restrição de direitos. Mas a suspeita de a Lava Jato ter solicitado a inclusão de Tatiana Souza Cremonini entre o banco de réus é de que seria uma forma de pressionar o pai, operador, a fechar acordo de delação premiada com os investigadores.

Na linha defendida pelos próprios procuradores, a única relação de Tatiana com os crimes imputados é de que, assim como seu pai, empregadas da filha também foram incluídas no programa de reassentamento com as obras. Em detalhes, entre todas as beneficiadas estão três babás da família de Paulo, duas domésticas e uma funcionária da empresa do genro de Paulo, ou seja, do esposo de Tatiana.

Mas o marido da filha não está entre os sentenciados. E, de acordo com os próprios investigadores, foi uma decisão de Paulo Vieira a inclusão do nome das seis funcionárias como supostas moradoras do espaço do rodoanel supostamente desalojadas pela obra, entre 2009 e 2011, recebendo apartamentos da CDHU no valor de R$ 62 mil à época, cada uma.

Assim, Tatiana não teria, segundo os próprios argumentos da Lava Jato de São Paulo, influência de decisão sobre os crimes cometidos pelo pai e, ainda que tivesse, os mesmos motivos teriam que justificar também a condenação de seu marido, o que não ocorreu.

Leia, abaixo, trecho da sentença da juíza, obtida pelo GGN:

Processo SP Paulo Vieira Souza

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