Cunha atua na Justiça para contestar existência de contas no exterior

 
Jornal GGN – O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), prepara uma estratégia para “provar que não faltou com a verdade”, após o processo de suposta quebra de decoro parlamentar ser aberto no Conselho de Ética da Casa. Como um dos focos do processo, que poderá tirar de Cunha sua cadeira no Congresso, é questionar a inveracidade de suas afirmações na CPI da Petrobras de que ele não possui contas no exterior, o deputado tentará desqualificar as acusações. Uma delas é colocando em sigilo o inquérito que investiga o que abasteceu as suas contas secretas na Suíça.
 
Nesta terça (03), Cunha disse que não mentiu quando negou a existência das contas durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Ainda afirmou que não se sentia constrangido ou via algum problema em continuar presidindo a Câmara, enquanto ocorre o processo no Conselho de Ética. 
 
Apesar de não antecipar pontos de sua defesa no processo de cassação, Cunha informou que vai analisar a representação apresentada pelo PSOL e pela Rede Sustentabilidade, e assinada por diversos partidos, que pedem o seu afastamento. “Tudo tem o seu tempo. Eu não menti à CPI. Quando eu apresentar a minha defesa ao conselho vocês vão saber todas as minhas respostas”, disse.
 
No mesmo dia das declarações, a defesa de Eduardo Cunha entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando que o ministro Teori Zavascki, relator do processo na Lava Jato, reformule a sua decisão de negar o segredo de Justiça à investigação. 

A justificativa dos advogados é que há dados bancários e fiscais que são protegidos por lei e não deveriam ser expostos. Contudo, a intenção de Cunha vai além. O presidente da Câmara pretende desqualificar os indícios do crime, com a investigação tramitando em sigilo, e negando as informações já prestadas pelo Ministério Público da Suíça e reafirmados pelo MPF brasileiro. A sinalização foi dada em recurso da defesa de Cunha, classificando como “inverídicos” os seguintes termos utilizados pela Procuradoria: “identificação de contas bancárias mantidas por Eduardo Cunha e sua esposa na Suíça. Confirmação dos pagamentos feitos no exterior por João Augusto Rezende Henriques em favor de Eduardo Cunha”.
 
“Embora inverídicos os termos utilizados na ementa de referido documento, é certo que o seu conteúdo se refere a dados bancários que, como sabido, ostentam grau de sigilo garantido constitucionalmente”, diz o documento, anunciando a tese de Cunha.
 
Enquanto isso, a investigação contra Eduardo Cunha por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras e a possível relação desse crime com as contas secretas no exterior motivaram a Suprema Corte a autorizar o bloqueio e o sequestro de R$ 9,6 milhões que estavam nas suas contas e nas de familiares.
 

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