Cunha pediu para receber propina por meio de doações à Assembleia de Deus

Jornal GGN – O presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) pediu ao lobista Julio Camargo, investigado pela Operação Lava Jato, para receber propina em forma de dinheiro vivo que teria sido disfarçada por meio de doações à Assembleia de Deus. A igreja tem como diretor perante a Receita Federal o irmão do presidente da igreja evangélica Assembleia de Deus Madureira, do Rio de Janeiro, instituição frequentada por Cunha.

Segundo denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da Repúblia, Rodrigo Janot, na tarde desta quinta-feira (20), Cunha teria usado a Câmara Federal para pressionar Julio Camargo a pagar propinas a ele e ao operador do PMDB na Lava Jato, Fernando Soares, em função de contratos da Petrobras com a Samsung pelo fornecimento de navios sonda. 

Os pagamentos a Cunha e a Soares por Camargo teria ocorrido entre 2006 e 2009. Em 2012, Julio Camargo foi procurado por Fernando Soares para que fizesse os pagamentos que restavam a Cunha por meio da Assembleia de Deus. O Ministério Público Federal detectou duas transferência em nome da instituição: uma de R$ 125 mil, da empresa Piemonte, e outra de mesmo valor, por parte da Treviso, ambas com a falsa justificativa de “pagamentos a fornecedores”, escreveu Janot.

Segundo a denúncia, há e-mail com a conta da Igreja e o pedido de “doação” a Camargo, mas não há dúvida, na visão da PGR, de que se tratava de uma cobrança de propina por Eduardo Cunha.

No final de julho, a imprensa divulgou que Cunha teria cobrado, em 2011, cerca de 5 milhões de dólares em propina a Julio Camargo. A denúncia apresentada ao Supremo cita a placa e o modelo do veículo usado pelo deputado para ir à reunião com o lobista, ao lado de Fernando Soares. 

A PGR também afirmou que Cunha recebia os valores em espécie e que, em determinado período, os repasses foram feitos com ajuda do doleiro Alberto Youssef. O deputado é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por causa das manobras para tentar camuflar o recebimento de propina. Para Fernando Soares, Camargo fazia transferência em contas no exterior.

Em nota, Eduardo Cunha disse que recebeu as acusações com “serenidade” e que foi “escolhido” pela PGR para ser denunciado. Ele sustenta que é alvo de uma manobra política para enfraquecer seu papel de presidente da Câmara.

O Supremo Tribunal Federal pode aceitar a denúncia contra o deputado e dar início a um processo de afastamento da Mesa Diretora.

Leia mais: Supremo pode afastar Cunha da presidência da Câmara por força da Constituição

A denúncia contra Cunha, na íntegra, está disponível aqui.

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