Decisão sobre Raupp “aproxima STF de Moro” e assusta entusiastas da anistia ao caixa 2

Jornal GGN – Um dia após a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal acolher um pedido da Procuradoria Geral da República para investigar o senador Valdir Raupp (PMDB), a classe política, de PSDB a PCdoB, levantou-se contra a decisão por considerar “preocupante” que doações oficiais sejam alvos de inquéritos a partir de delações sem provas.

Reportagem publicada pelo Estadão desta quinta (9) mostrou que senadores e deputados chegaram a dizer que o Supremo se aproximou do juiz Sergio Moro, de Curitiba, evidentemente inclinada a aceitar todas as denúncias da Lava Jato nesse sentido: de que doações de empresas a partidos e políticos eram, na verdade, pagamento de propina.

Raupp é agora réu sob acusação de ter recebido propina de R$ 500 mil da construtora Queiroz Galvão disfarçada em doação oficial de campanha em 2010. A maioria da turma do STF também considerou que, além de corrupção passiva, pode ter havido lavagem de dinheiro.

“Em reservado, deputados consideram que decisão do STF torna inviável qualquer tentativa de anistia de caixa 2. A avaliação é de que, pela interpretação que a Corte vem dando, não adiantará mais o político alegar que o recurso foi obtido de forma não contabilizada, pois o ato será enquadrado como outro tipo de crime, como corrupção e lavagem de dinheiro”, explicou o Estadão.

O jornalista Andrei Meireles publicou em Os Divergentes que, no fundo, o que gera temor nos políticos é o que ensina a sabedoria popular: por onde passa um boi, passa uma boiada. Ou seja: de Raupp pode ser investigado, apenas com base em delação, por doações oficiais, qualquer um pode.

 

Por Andrei Meireles

STF barra tentativa de lavar dinheiro na Justiça Eleitoral

Em Os Divergentes

Como ensina a sabedoria popular, por onde passa um boi, passa uma boiada. O rebanho político, cercado pela Lava Jato, tomou um susto com a decisão do STF de abrir a porteira.

A abertura de ação penal contra o senador Valdir Raupp, da cúpula do PMDB, acusado de receber propina como doação eleitoral, puxa a fila.

Diferente da chiadeira geral, puxada pelos caciques tucanos, como os senadores Aécio Neves e Cássio Cunha Lima, o Supremo não está criminalizando a política. Está, sim, pondo necessários pingos nos is.

Dinheiro sujo é dinheiro sujo em qualquer gaveta ou caixa: Um, Dois, Três ou Quatro. Se a origem é da corrupção, em suas mais variadas formas, o menos relevante é se vai enriquecer políticos ou bancar suas campanhas eleitorais.

Até aí foi consenso na Segunda Turma. Por três votos a dois, o tribunal foi além. Acatou, também, a denúncia contra Raupp por lavagem de dinheiro.

Aí, deu outro grande passo adiante.

O que o Supremo decidiu foi barrar o drible para transformar a Justiça Eleitoral em lavanderia de grana escusa. Deu um chega para lá no modo esperto, depois do Mensalão punir o Caixa Dois, de continuar a farra.

Simples assim.

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