Defesa de Manuela irá oficializar disposição de prestar esclarecimentos à PF

Ao contrário do ex-juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol, Manuela se dispôs ainda a entregar seu aparelho celular à perícia

Manuela d'Ávila. Imagem: Reprodução/TV Cultura

Jornal GGN – A defesa da ex-deputada Manuela d’Ávila (PCdoB), representada pelo ex-ministro José Eduardo Cardozo e pelo criminalista Alberto Toron, entregará uma petição ao delegado da Operação Spoofing, Luís Flávio Zampronha, na segunda-feira (29), oficializando a disposição de Manuela em prestar esclarecimentos à Polícia Federal.

Ao contrário do ex-juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol, Manuela se dispôs ainda a entregar seu aparelho celular à perícia. Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a ex-deputada pretende falar aos investigadores em meados de agosto, assim que voltar ao Brasil.

O nome da ex-parlamentar que concorreu às eleições do ano passado como vice-presidente na chapa de Fernando Haddad foi citado em depoimento à PF de Walter Delgatti Neto, um dos quatro supostos hackers presos na terça-feira (23), pela invasão dos celulares de autoridades, entre elas o ministro da Justiça Sérgio Moro.

Delgatti disse que Manuela foi a intermediária que o colocou em contato com o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil. Manuela está fora do país e, ao saber, pela imprensa, de que seu nome foi envolvido nas investigações, divulgou uma nota esclarecendo os fatos.

Manuela confirma que no dia 12 de maio foi procurada pelo aplicativo do Telegram por uma pessoa que não se identificou para lhe dizer que “tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras”.

Essa mesma pessoa, invadiu o próprio celular da ex-deputada. E, imaginando que poderia se tratar “de alguma armadilha montada por adversários políticos”, Manuela conta que repassou o contato do hacker ao “renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald”.

Veja a seguir a nota da ex-parlamentar na íntegra

NOTA À IMPRENSA

Tomando ciência, pela imprensa, de alusões feitas ao meu nome na investigação de fatos divulgados pelo “The Intercept Brasil”, e por me encontrar no exterior em atividades programadas desde o início do corrente ano, esclareço que:

1.No dia 12 de maio, fui comunicada pelo aplicativo Telegram de que, naquele mesmo dia, meu dispositivo havia sido invadido no Estado da Virginia, Estados Unidos. Minutos depois, pelo mesmo aplicativo, recebi mensagem de pessoa que, inicialmente, se identificou como alguém inserido na minha lista de contatos para, a seguir, afirmar que não era quem eu supunha que fosse, mas que era alguém que tinha obtido provas de graves atos ilícitos praticados por autoridades brasileiras. Sem se identificar, mas dizendo morar no exterior, afirmou que queria divulgar o material por ele coletado para o bem do país, sem falar ou insinuar que pretendia receber pagamento ou vantagem de qualquer natureza.

2.Pela invasão do meu celular e pelas mensagens enviadas, imaginei que se tratasse de alguma armadilha montada por meus adversários políticos. Por isso, apesar de ser jornalista e por estar apta a produzir matérias com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald.

3.Desconheço, portanto, a identidade de quem invadiu meu celular, e desde já, me coloco a inteira disposição para auxiliar no esclarecimento dos fatos em apuração. Estou, por isso, orientando os meus advogados a procederem a imediata entrega das cópias das mensagens que recebi pelo aplicativo Telegram à Polícia Federal, bem como a formalmente informarem, a quem de direito, que estou à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o ocorrido e para apresentar meu aparelho celular à exame pericial.

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