Defesa de Temer chama gravação de fraude e pede para não responder sobre ela

Jornal GGN – A defesa de Michel Temer (PMDB), encabeçada pelos advogados Antônio Cláudio Mariz de Oliveira [foto] e Sérgio Eduardo Mendonça de Alvarenga, recorreu ao Supremo Tribunal Federal para que o presidente não seja obrigado a responder perguntas sobre a gravação feita por Joesley Batista, da JBS, na qual o peemedebista aparece discutindo suposto pagamento de propina a Eduardo Cunha e ações de obstrução de Justiça.

Na visão da defesa de Temer, é preciso que a perícia do áudio seja concluída para que o presidente possa se manifestar sobre o material “fraudado”.

“É de fácil percepção a absoluta impossibilidade de o Presidente da República fornecer respostas enquanto não finalizada a perícia deferida como prioridade por Vossa Excelência. Especialmente, impossíveis de ser respondidos seriam eventuais quesitos que digam respeito a uma gravação que, de antemão, já se sabe fraudada!”, afirmam os advogados Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e Sérgio Eduardo Mendonça de Alvarenga.

Caso o relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin, não conceda a suspensão do interrogatório, que se dará por depoimento escrito, Temer quer que a Polícia Federal seja proibida de elaborar perguntas sobre o conteúdo da conversa com Joesley.

Ao Estadão, Mariz explicou que “estamos peticionando para que o presidente responda apenas quando o laudo vier ou que o presidente responda questões pertinentes a outros fatos, diversos dos referentes à gravação. Em relação a essas questões ele (Temer) não poderá responder porque o áudio está sendo vistoriado. O laudo dessa perícia ainda não foi concluído. Logo, o presidente não pode ser ouvido sobre o conteúdo (do áudio).”

O advogado ainda disse que não deve recorrer da decisão de Fachin de demembrar o inquérito de Temer apenas para separar o senador Aécio Neves da investigação, mantendo o presidente atrelado ao deputado Rodrigo Rocha Loures. Mesmo com o parlamentar tendo sido filmado recebendo uma mala recheada de propina da JBS, que o acusa de ser o homem de confiança de Temer, a defesa do presidente não vai insistir na separação.

Segundo Mariz, essa é a maneira de manter o foro privilegiado de Loures, que perdeu o cargo de deputado federal quando Osmar Serraglio deixou o Ministério da Justiça para retornar à Câmara.

“O deputado Rodrigo Rocha Loures não perdeu o foro. Ele está no Supremo não porque é deputado, mas porque está sendo investigado com o presidente. Como estava conexo anteriormente com o senador Aécio, agora está com o presidente. Há um engano dos que acham que o foro dele (Loures) era só em decorrência do fato de ele ser deputado. Mas é também em decorrência do fato de ele estar primeiro conexo com Aécio e agora com o presidente”, disse Mariz.

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