Novo delator da Odebrecht detalha caixa 2 ao PT, mas blinda Temer

Jornal GGN – Um dos depoimentos mais esperado pelo ministro Herman Benjamin, relator da ação no Tribunal Superior Eleitoral que visa a cassação da chapa Dilma-Temer, aconteceu nesta terça (7). Segundo reportagem do Estadão, Hilberto Mascarenhas Filho, considerado o diretor do “departamento de propinas” da Odebrecht, deu detalhes sobre pagamentos via caixa 2 que implicam PT, Antonio Palocci, Guido Mantega e João Santana, o marqueteiro da campanha de Dilma Rousseff, mas blinda Michel Temer (PMDB).

Segundo Mascarenhas, a Odebrecht despendeu, entre 2006 e 2014, um total aproximado de 3,3 bilhões de dólares em doação eleitoral não registrada. “Na planilha apresentada, segundo relatos, constava as seguintes quantias: em 2006 – U$ 60 milhões; 2007 – U$ 80 milhões; 2008 – U$ 120 milhões; 2009 – U$ 260 milhões; 2010 – U$ 420 milhões; 2011 – U$ 520 milhões; 2012 – U$ 730 milhões; 2013 – U$ 750 milhões e 2014 – U$ 450 milhões.”

De acordo com o delator, João Santana e Mônica Moura, responsáveis pelas duas campanhas de Dilma, estão entre os cinco maiores recebedores de pagamentos do setor de propina da Odebrecht. Só em 2014, o montante transferido ao casal girou em torno de 16 milhões de dólares.

Relatos obtidos pelo Estadão indicam que Mascarenhas, incitado pela defesa de Dilma, explicou que Santana e sua esposa também receberam valores por campanhas feitas na América Latina e em Angola. “O ex-executivo não soube detalhar, contudo, as datas dos pagamentos ao casal, mas afirmou que têm um servidor na Suíça em que estão listados todos os repasses. Do total, 60% dos recursos teriam sidos passados no Brasil e o restante no exterior”, diz o Estadão.

Mascarenhas também afirmou que Antonio Palocci é o “italiano” que aparece em comunicações da Odebrecht e que o ex-ministro gerenciava uma conta de mesmo apelido, por onde circulavam valores direcionados ao PT. Essa conta ficou ativa mesmo após a saída de Palocci do governo porque, de acordo com o delator, “ele poderia movimentar valores até eles se esgotarem”. O ex-ministro Guido Mantega seria o “pós-Itália”.

Já em relação ao PMDB, Mascarenhas disse que Temer nunca apareceu nas negociações da Odebrecht, mas que ele sabia que Marcelo Odebrecht tinha discutido o repasse de 6 milhões de reais à campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo, em 2014. “A informação do desembolso ao peemedebista chegou a ele por meio do marqueteiro da campanha de Skaf, Duda Mendonça, que teria ligado para combinar o pagamento. Marcelo Odebrecht também teria falado sobre a doação com Hilberto.”

O delator ainda disse que o departamento de propinas da Odebrecht também tinha como finalidade fazer pagamentos por resgate de funcionários que atuavam em países em conflito ou em zona de guerra.

Com a Lava Jato, os fundos do setor migaram para a República Dominicana. Transações nos Estados Unidos eram evitadas por medo da legislação local.

 

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