Delegada que prendeu Cancellier manda investigar professor que criticou abuso

Foto: Agência Câmara

Jornal GGN – A delegada Erika Marena pediu uma investigação contra o professor da UFSC Aureo Mafra de Moraes, alegando ter sido alvo de difamação, calúnia e ataque à honra. Ex-chefe de gabinete do reitor Luis Carlos Cancellier, Moraes virou alvo da Polícia Federal depois de ter criticado o abuso de autoridade na Operação Ouvidos Moucos.
 
Marena foi a delegada que mandou prender Cancellier sob a suspeita de obstrução de Justiça. O então reitor cometeu suicídio e deixou uma carta colocando a atuação da Ouvidos Moucos em xeque.
 
Há alguns meses, a PF apresentou o relatório da investigação sem indiciar Cancellier nem indicar qualquer prova de enriquecimento ilícito no suposto esquema de desvio de recursos na UFCS. Cancellier foi objeto de investigação por ter indicado ou mantido a nomeação de docentes. E, embora a PF diga que as irregularidades teriam ocorrido entre 2008 e 2016, Cancellier foi o único reitor enquadrado.

 
A operação despertou críticas e fomentou debates sobre abuso de autoridade. No Senado, Roberto Requião prometeu batizar a lei que tenta punir autoridades que pratiquem atos que excedem suas atribuições ou para fins de perseguição política como Lei Cancellier.
 
Agora, a PF decidiu voltar-se contra o professor de jornalismo Aureo Mafra de Moraes. O inquérito foi solicitado por Marena em 22 de janeiro de 2018, depois que o agente federal Renato Rocha Prado informou à direção da PF em Santa Catarina sobre a existência de uma reportagem feita pelos alunos da universidade. Nela, Moraes concede uma rápida entrevista na frente de uma faixa com o rosto da delegada e a seguinte frase: “Agentes públicos que praticaram abuso de poder contra a UFSC e que levou ao suicídio do reitor.” Foi o suficiente para desagradar os entusiastas dos métodos da Ouvidos Moucos.
 
Veja o vídeo que deu início ao inquérito abaixo:
 
https://www.youtube.com/watch?v=yqylIM0_8Wk width:700 height:394
 
INTERROGATÓRIO
 
Segundo relatos da Folha desta sexta (27), “o delegado Germando Di Ciero Miranda intimou Aureo para que ele apontasse os responsáveis pelo evento, por autorizar a entrada dos cartazes e por coloca-los visíveis atrás dos entrevistados. Aureo declarou não saber responder essas questões e afirmou que a universidade não interfere e nem cerceia manifestações.”
 
“O delegado terminou a oitiva advertindo o professor. Ele estaria obrigado a comunicar a Polícia Federal sobre eventuais mudanças de endereço.”
 
O atual reitor da UFSC, Ubaldo Balthazar, também foi questionado sobre o evento e disse que não atua podando manifestações dos alunos e professores.

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