Diretor da CUT Rio é intimado por criticar Sérgio Moro

Foto: Reprodução
 
Jornal GGN – O diretor adjunto da Secretaria de Saúde do Trabalhador da CUT Rio, Roberto Ponciano, foi intimado pela Polícia Federal a prestar depoimento na Superintendência do Rio de Janeiro, no próximo dia 11 abril, após manifestar críticas e posicionamentos contra o juiz Sérgio Moro e a Operação Lava Jato.
 
Além de militante, Ponciano é pesquisador marxista e serventuário da Justiça Federal no Rio, e passou a ser investigado por supostamente cometer os crimes de injúria, ameaça e incitação ao crime, por teoricamente “atentar contra a vida” do juiz da Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, por meio de redes sociais.
 
“Escrevo textos em meu perfil numa mídia social e em sites de opinião criticando sim procedimentos da Lava Jato e a seletividade do juiz Moro. Faço somente análises do contexto da investigação, ao criticar como ela acabou por se tornar uma orquestração política usada por veículos de comunicação e a direita interessados apenas em demonizar  a imagem do Partido dos Trabalhadores e de suas lideranças”, disse Roberto à Agência Petroleira de Notícias.
 
Em seu página no Facebook, o militante afirmou que estava tranquilo. “De minha parte, só estou num inquérito policial kafkaniano pelo crime absurdo de pensar”, escreveu, completando: “Não estou triste, não estou deprimido, não estou tenso. Estou tranquilo e focado na luta. Moro faz parte do golpe, ele me atacar mostra que estou do lado certo da luta”.
 
 
O dirigente da CUT também anunciou que o Deputado Federal Wadih Damous (PT-RJ) dará suporte jurídico à sua defesa no inquérito. Por ser servidor público, ressaltou que seu único motivo de preocupação é perder o trabalho, “principal fonte de sustento”, mas que não se deve “baixar a cabeça para o Estado de Exceção”.
 
“No estudo do Mal Absoluto e da banalidade do mal, Hannah Arendt mostrou que, sem uma cumplicidade silente de milhões, o fascismo não seria viável. Arendt, Sartre, Badiou, uma série de filósofos de forma direta ou indireta, mostram que há um dever de agir diante do terror. Quem tem consciência do desastre e se cala, é cúmplice do desastre. Não posso calar. Não posso me intimidar”, publicou na rede social.
 
 
Uma das críticas de Ponciano que tiveram maior visibilidade foi o artigo “Moro, Eichman e a banalidade do mal”, publicado no blog do Bolche, em março do último ano, analisando a situação atual da Justiça brasileira e as perseguições políticas (leia aqui).
 
Após a intimação do militante, movimentos sociais organizaram um ato público de manifestação, no Boulevard Olímpico, no Rio de Janeiro, na próxima terça-feira (11), no “dia do depoimento do terceiro inquirido pelo juiz Sérgio Moro pelo crime de pensar”. “Primeiro foi o petroleiro e sindicalista Emanuel Cancella, depois o blogueiro Eduardo Guimarães, agora o servidor e diretor da CUT, Roberto Ponciano”, completou a descrição do evento.
 
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Veja, abaixo, a intimação:
 
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