Documento Word, como o usado contra Dilma, é manipulável por programa gratuito

Em poucos minutos, um arquivo Word criado na tarde de 15 de fevereiro de 2017 pode ser alterado para parecer que foi escrito em 19 de fevereiro de 2016

Jornal GGN – A ata do registro em cartório de uma conta de Gmail que é atribuída à Dilma Rousseff pela delatora Mônica Moura, esposa do marqueteiro João Santana, circula nas redes sociais nos últimos dias com inúmeros questionamentos sobre sua veracidade. Mas não é a única prova que, a princípio, é considerada frágil e está anexada à delação.

Mônica disse à Lava Jato que só salvou uma única mensagem que teria sido escrita por Dilma, mas em formato Word, após deletar o rascunho do Gmail. Na papelada da delação, consta que esse arquivo foi criado em 19/02/2016, às 19h40.

Nessa mensagem, Dilma teria supostamente escrito: “O seu grande amigo está muito doente. Os médicos consideram que o risco é máximo. E o pior é que a esposa dele, que sempre tratou dele, também está doente. Com risco igual. Os médicos acompanham dia e noite.” Mônica encarou como um aviso de que a Lava Jato iria prender o casal.

Esse “.doc” foi registrado em um cartório de São Paulo, em 20/05/2016. 

Apesar de ter sido aceito como evidência contra Dilma, qualquer documento de Word é manipulável.

O GGN fez um teste após o download do programa New File Time. Em poucos minutos, um arquivo dessa natureza, criado na tarde desta segunda (15), foi manipulado para fazer parecer que foi criado em 19/02/2016, às 10h05. Também é possível alterar a data em que o arquivo foi acessado pela última vez ou modificado. O tutorial, com poucos passos, está disponível aqui.

Para alterar um documento Word no New File Time, basta arrastar ou importar o arquivo para dentro do programa, selecionar “be older” ou “be younger”, a depender da data que o documento vai passar a ter. Depois de ajustar as configurações de “data de criação”, “modificação” e “último acesso”, é só clicar em “set-time” que a mudança é feita automaticamente 

TELEFONEMA?

Há mais dúvidas sobre o depoimento de Mônica Moura sobre Dilma.

No vídeo em que a delatora detalha a suposta obstrução de Justiça por parte de Dilma, uma da então presidente para o escritório de João Santana, na República Dominicana, na noite anterior à Operação Acarajé, é mencionada. O GGN apurou que essa ligação não está registrada na papelada da delação homologada pelo Supremo Tribunal Federal.

Outra informação que consta na delação avalizada pelo STF é a informação correta do dia e hora em que Mônica acionou, por mensagem de telefone, o ex-assessor presidencial, Anderson Dornelles.

No enredo contado por Mônica no vídeo, Dilma escreveu a mensagem no dia 19, o casal entrou em pânico com a notícia e tentou contato com Dorneles entre 20 e 21 de fevereiro de 2016. Na noite do dia 21, Dilma teria ligado para um telefone na República Dominicana e avisado do mandado de prisão. E no dia 22, Mônica deixou um rascunho no Gmail avisando que o casal embarcaria para o Brasil – foi preso no dia 23 de fevereiro – e não gostaria de ver “espetáculo”.

Ao contrário do que diz no vídeo, Mônica não enviou mensagem para a esposa de Anderson entre os dias 20 e 21, numa tentativa de falar com Dilma. A prova anexada à delação mostra que, na verdade, as mensagens disparadas por Mônica ocorreram na manhã do dia 22 de fevereiro, por volta das 11h, quando a empresária já sabia que seria presa na Operação Acarajé.

LEIA MAIS: As provas e dúvidas no depoimento de Mônica Moura contra Dilma

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