Dodge segurou investigações sobre Bolsonaro até ser descartada sua recondução, afirma jornal

Segundo a Folha, PGR desrespeito prazo previsto na Lei de Acesso à Informação; Dodge liberou inquéritos sobre Bolsonaro depois de perder força na disputa para seguir no posto

Raquel Dodge (à esquerda), ao lado de Michelle e Jair Bolsonaro. Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – A Procuradoria-Geral da República, comandada hoje por Raquel Dodge, demorou mais de 120 dias para liberar investigações que envolvem o presidente Jair Bolsonaro (PSL). A informação é da Folha de S.Paulo que pediu acesso aos inquéritos dos casos Wal da Açaí e Nathalia Queiroz.

As duas são apontadas como funcionárias fantasmas no gabinete do então deputado federal, Jair Bolsonaro. As revelações foram feitas pela Folha, no ano passado. O primeiro caso investiga Walderice Conceição, moradora de Angra dos Reis (RJ) que mantinha um pequeno negócio de açaí ao mesmo tempo em que atuava como funcionária de Bolsonaro em Brasília.

O segundo caso envolve a filha de Fabrício Queiroz. Apurações do mesmo jornal mostram que Nathalia atuava como personal trainer no Rio de Janeiro, enquanto esteve contratada no gabinete de Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

O jornal destaca que o primeiro inquérito, da Wal do Açaí, foi aberto na primeira instância pela Procuradoria Regional do Distrito Federal, em setembro do ano passado. Em abril deste ano foi enviado para a PGR.

“A Folha solicitou acesso ao caso, por ter chegado à PGR sem sigilo. Em dois pedidos diferentes, a Procuradoria descumpriu o prazo previsto na Lei de Acesso à Informação, de 20 dias para responder, prorrogável por mais 10. Em um deles, a resposta demorou quase dois meses e, no outro, levou 40 dias”, escrevem Camila Mattoso e Ranier Bragon que assinam a matéria.

Na reportagem conta que a apuração sobre Nathalia Queiroz ficou durante o mesmo período nas mãos de Dodge. O procedimento sobre a funcionária fantasma foi aberto dois meses depois do de Wal do Açaí, e durante todo esse período não houve nenhuma diligência. As investigações ainda estão em estágio embrionário.

Somente na última terça-feira (6), a PGR desengavetou os dois inquéritos e mandou de volta para a primeira instância. Na avaliação da reportagem da Folha, isso ocorre exatamente após o nome de Raquel Dodge perder força na disputa para seguir no posto.

O mandato da procuradora-geral termina em setembro e ela estava trabalhando para se manter por mais dois anos chefiando o Ministério Público. A indicação para o cargo é prerrogativa do presidente da República e é considerada estratégia ao governo uma vez que cabe à PGR conduzir eventuais ações contra o líder do Planalto e políticos com foro privilegiado.

A assessoria de imprensa da PGR respondeu ao jornal que a análise dos casos ligados às ex-funcionárias de Bolsonaro respeitou a fila, “seguindo o rito normal de funcionamento do setor, os procedimentos foram inicialmente classificados considerando o grau de urgência e prioridade e após entraram na ordem de análise, considerando a existência de outros casos que já aguardavam análise”.

Durante o período em que aguardou para ter acesso aos inquéritos, a PGR disse à Folha que, para liberar o material, era necessária a apresentação de procuração, “sem dar detalhes de que procurações seriam aceitas”, pontuam os jornalistas.

“A reportagem telefonou para o serviço de Atendimento ao Cidadão, que respondeu que seria necessária procuração dos advogados das partes, mas sem saber explicar o motivo nem dizer se o tema era sigiloso”, continuam.

“Os procuradores responsáveis enviaram os procedimentos a Dodge sob o argumento de que havia apuração criminal em andamento e não seria “recomendável” a continuidade na esfera cível por terem “idênticos objetos” (ou seja, por se tratar do mesmo tema)”, completam

*Clique aqui para ler a matéria da Folha na íntegra.

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