“É mais fácil matar Dirceu que reconhecer sua inocência”, diz advogado após sentença de Moro

Jornal GGN – O ex-ministro José Dirceu foi condenado pela segunda vez pelo juiz Sergio Moro, na operação Lava Jato, agora por corrupção e lavagem de dinheiro em esquema da Petrobras envolvendo R$ 2,1 milhões. A sentença foi de 11 anos e três meses. No ano passado, Dirceu recebeu outros 20 anos e 10 meses de prisão.

Nesta segunda ação, Dirceu foi condenado por ele e seu grupo terem recebido propina para favorecer a contratação da empresa Apolo Tubulars pela Petrobras, por meio da diretoria de Serviços da estatal, que a Lava Jato atribui aos cuidados do PT.

A Procuradoria sustenta que as vantagens ilícitas foram transferidas pela Apolo Tubulars para a empresa Piemonte, do lobista Júlio Camargo. Os investigadores afirmam que, em seguida, Renato Duque, ex-diretor de Serviços, solicitou a Júlio Camargo “que a sua parcela na propina, cabível em decorrência de suas intervenções, fosse repassada ao núcleo político capitaneado por José Dirceu”.

“Assim, cerca de 30% dos valores recebidos por Júlio Camargo, o que equivale a R$ 2.144.227,73, foram transferidos ao ex-ministro da Casa Civil”, aponta a força-tarefa. Os procuradores ainda sustentaram que Julio Camargo c]pagou propina a Dirceu por meio de custieo de uso de aeronaves.

Segundo o Estadão, Roberto Podval, advogado de Dirceu, reagiu com “perplexidade” à condenação. “Estão matando o Zé Dirceu”, disse. “É mais fácil matá-lo que admitir sua inocência.”

Podval ainda afirmou que espera “com a teimosia dos burros que nossos juízes voltem a julgar se guiando pela constituição e não pela opinião pública.”

Ao todo, foram sete réus na ação. Moro condenou cinco, incluindo Dirceu e seu irmão, Luiz Eduardo Oliveira e Silva, sentenciado a seis anos e oito emses de prisão. O magistrado absolveu apenas os réus Paulo Cesar Peixoto de Castro e Carlos Eduardo de Sá Baptista.

Uso do mensalão

Na semana passada, Moro liberou o julgamento de Delúbio Soares, Ronan Maria Pinto e outros réus envolvidos na lavagem de aproximadamente R$ 6 milhões, provenientes de um empréstimo fraudulento do Banco Schahin. Os acusados foram sentenciados a cinco anos de prisão.

Moro citou o “passado” de Delúbio, condenado no mensalão, para decretar que ele foi o mandante do pagamento a Ronan Maria Pinto. A Lava Jato tentou apurar se o empresário recebeu para ficar em silêncio sobre o caso Celso Daniel, mas não conseguiu levantar provas.

A defesa de Delúbio reclamou da inexistência de provas materiais que implicassem o ex-tesoureiro do PT, para além de delações.

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