Eleição interna mostra Aras cada vez mais isolado no Ministério Público

Vitória de opositores de Augusto Aras ao Conselho Superior do Ministério Público e poucos votos a aliados do PGR revelam a insatisfação interna com a sua atuação no órgão

O presidente Jair Bolsonaro e o procurador-geral da República, Augusto Aras - Foto Adriano Machado/Reuters

Jornal GGN – Uma eleição interna da Procuradoria-Geral da República, concluída nesta terça-feira (23), aproveitou para dar um recado claro de oposição que está sendo formada dentro do órgão contra o atual PGR, Augusto Aras.

Dois dos principais nomes de oposição a Aras conquistaram a primeira e segunda vagas na eleição do Conselho Superior do Ministério Público (CSMPF): Mario Luiz Bonsaglia e Nicolao Dino, ambos com mais de 600 votos cada um.

Bonsaglia foi também um dos eleitos internamente da lista tríplice de indicações da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), no ano passado, para assumir o cargo maior dentro da PGR, ocupado por Aras, por decisão do presidente Jair Bolsonaro, que ignorou a lista.

Dois procuradores próximos a Aras, Carlos Frederico Santos, Maria Iraneide e Julieta Elizabeth de Albuquerque obtiveram menos votos, nesta terça, com 190 e 121, respectivamente. Os três foram escolhidos pelo atual PGR para ocupar a coordenação de Câmaras do Ministério Público.

E outra eleição, na próxima semana, também deve eleger mais dois integrantes do Conselho, desta vez restrito a candidatos que são subprocuradores-gerais, e há a expectativa de que Aras também perca a maioria nessa eleição.

Apesar de não modificar a estrutura da gestão de Aras no órgão máximo de investigação, ambas votações internas representam um aviso claro de oposição ao procurador-geral dentro da própria instituição, e mostra a insatisfação de membros do Ministério Público Federal (MPF) contra Aras.

A atuação do procurador-geral, evidenciada de forma mais efetiva nos últimos meses, de atual a favor dos interesses do presidente Jair Bolsonaro, seja pedindo o arquivamento, não dando sequência às investigações, direcionando diligências e por vezes manifestando-se como o advogado-geral da União, criou um clima de “rebelião” interna, que o vêm isolando, cada vez mais, entre seus pares.

Na última sexta-feira (19), Augusto Aras, juntamente com o corregedor nacional Rinaldo Reis, assinaram uma recomendação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), pedindo aos procuradores que não levem a Justiça pautas que vão contra governantes em temas que não haja “consenso científico”.

A manifestação foi vista pelos procuradores como uma forma de censurar a atuação dos membros do Ministério Público em questões da pandemia do coronavírus que sejam contrárias ao posicionamento de Jair Bolsonaro, como o isolamento social, por exemplo.

“Diante da falta de consenso científico em questão fundamental à efetivação de política pública, é atribuição legítima do gestor a escolha de uma dentre as posições díspares e/ou antagônicas, não cabendo ao Ministério Público a adoção de medida judicial ou extrajudicial destinadas a modificar o mérito dessas escolhas”, escreveram Aras e Reis.

Nesta segunda (22), diversas associações de procuradores se manifestaram contra a recomendação, solicitando que o tema seja debatido em reuniões e audiências públicas e pedindo a suspensão da recomendação.

 

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3 comentários

  1. Ele não foi escolhido pelos seus pares,logo,não dá para dizer que sujeito está mais ou menos isolado do que quando entrou.
    De qualquer forma, ao aceitar a indicação do sujeito que ocupa a presidência da República ele já deixou bem claro que o alinhamento dele não seria com os de dentro.

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