Eliana Tranchesi [do Templo Daslu e da “massa cheirosa”]: “Nunca tinha convivido com esse lado obscuro”

Por DiAfonso [editor-geral do Terra Brasilis]

Engraçado como os “áulicos da elite cheirosa” –  quando se veem espremidos no meio da massa fedida [cheiro de povo, para essa elite, deve ser deveras repugnante!] – se espantam com a real situação dos que se comprimem no “andar de baixo” [no dizer de Elio Gaspari]. 

Enquanto a vida escancara um sorriso de benesses e os mantém nas sacadas de palácios erigidos com o resultado de uma longa política de exclusão social e uma má distribuição de renda, os personagens  “cheirosos” sequer imaginam haver famílias que, em situação de miséria, vão sobrevivendo em meio ao charco que lhes resta.

Os “cheirosinhos” vivem tão distantes da crua realidade da ralé [no dizer do “cheirosinho” Reinaldo Azevedo, o “Tio Rei”] que, do alto de suas varandas, não enxergam o transitar cambaleante do “cidadão-comum”. Nem mesmo parecem acreditar na existência, por exemplo, de presídios apinhados de “marginais” que trilharam o caminho do crime por uma dessas “peças” pregadas pela vida ou, como querem alguns do “andar de cima”, por “exclusivo, pessoal e intransferível” livre-arbírtrio.

Na cabeça dos que defecam bolo e urinam guaraná – daí, porque fazerem parte da “massa cheirosa” -, não há sistema prisional e muito menos as dificuldades por que passam detentos e detentas que cumprem pena por seus delitos [Sobre as falhas na aplicação da Lei de Execução Penal, leia aqui.]

Não, não há sistema penitenciário degradante. Não para os da “massa cheirosa”, pois, imunizados contra toda e qualquer possibilidade de respirarem o ar fétido das prisões, os  “cidadãos-vip-cheirosos” repousam suas cabeças em travesseiros confortáveis e sem o fedor de baba. No sono dos “justos” [porque cheirosos], não há  roncos ensurdecedores e, muito menos, os pesadelos das prisões pelo Brasil afora.  Ainda que crimes tenham cometido, esses abastados não têm o que temer. Até que o poder público, com homens públicos de verdade, resolva agir.

E assim se deu. “De repente, não mais que de repente” [no dizer do saudoso Vinícius de Moraes] a “casa caiu” [no dizer da “massa fedida”] para Eliana  Piva de Albuquerque Tranchesi.

A “cheirosinha” Eliana Tranchesi, dona da Daslu [Templo do consumo de luxo em moda], foi presa sob acusação de ter cometido crimes de formação de quadrilha, falsidade material e ideológica e lesão à ordem tributária [leia mais aqui].

Condenada a 94 anos e seis meses de prisão, ela foi para a cadeia [sendo libertada logo, logo] e, lá, descobriu que existe um sistema prisional. Mais que isso: sentiu na pele o que a ralé [os do “andar de baixo”] sente na carceragem. “[…] aquilo não serve para ninguém. O sistema penitenciário tem que ser revisto”, disse ela, em entrevista a ISTOÉ [leia fragmento abaixo].

Como assim?! Agora, existe sistema prisional injusto e desumano. Agora, o tal sistema tem que ser revisto. Ora, senhora Eliana Tranchesi! Menos, menos. Menos pelas razões que passo a expor abaxo:

Primeiro – Enquanto a senhora deslizava em tapetes suntuosos no Templo Daslu, essa discussão nunca esteve na ordem do dia.

Segundo – Os que ali estão cometeram algum crime por razões diversas [nunca por ter muito dinheiro, pois são da ralé], mas a senhora! A senhora, Eliana Tranchesi, não tinha motivo algum para, juntamente com sua quadrilha, cometer crimes financeiros de forma habitual e recorrente, segundo a Justiça.

Afirmar, como a senhora o fez, que “Tinha tentado a minha vida inteira ser justa. Se você é desonesto e vive na clandestinidade está no risco. Não era o meu caso.” parece piada de malíssimo gosto. Então quer dizer que a senhora era honesta, mas vivia fraudando importações e falsificando documentos – à luz do dia [não na clandestinidade] – sem correr riscos e crendo que tudo estava certo? Que conceito de honestidade é esse, senhora Eliana Tranchesi?

Leia fragmentos da entrevista, concedida a ISTOÉ, e os comentários da editoria-geral do Terra Brasilis aqui.

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