Em grampo da JBS, Loures insinuou que poderia influenciar Fachin

Foto: STF

Jornal GGN – Em uma gravação feita pelo empresário Ricardo Saud e entregue à Lava Jato em troca de um acordo delação premiada, Rodrigo Rocha Loures, conhecido como o “deputado da mala” depois que foi flagrado recebendo propina da JBS, insinua que tem proximidade com o ministro Edson Fachin, relator da operação no Supremo Tribunal Federal.

Loures diz a Saud que ele e Fachin são do mesmo estado, Paraná, mas que “ainda” não esteve com ele neste ano. A tentativa de mostra proximidade com o magistrado ocorreu após uma conversa sobre o possível afastamento de Eliseu Padilha do governo.

Segundo Loures, há uma expectativa de que Padilha seja denunciado a Fachin até o próximo mês, e o plano de Temer é afastar o ministro para abafar o impacto de mais um escândalo no primeiro escalão e, ao mesmo, conservar o foro privilegiado. A ideia é manter Padilha distante da primeira instância pelo menos até 2018.

Na transcrição da Polícia Federal, o diálogo segue da seguinte maneira:

Loures: Ele [Padilha] não deixará o governo logo. Mas ele será afastado logo.

Saud: Isso que eu tô falando. [Inaudível] Agora, não tem um jeito de conversar com o Fachin não?

Loures: Eu acho que ele tá…

Saud: Porque o Fachin pediu muita ajuda para o PMDB, na época. O Temer foi… ajudou você também? Me ajudou a controlar o Renan [Calheiros, então presidente do Senado].

Loures: Da onde é o Fachin?

Saud: Ah é mesmo… porra véi, é lá da sua terra. Então, não tem jeito de…

Loures: Eu não estive com ele este ano ainda.

Saud: Não, faz assim. Não é para fazer nada de errado. Deixa isso aqui por enquanto, não mexe lá com o governo…

Loures: Eu acho que não tem… mas ele é um belíssimo ministro do STF.

Saud: Mexer com o governo agora… porque vai sair 8 ministros agora [se forem denunciados] (…).

A conversa ocorreu no dia 24 de abril, na cafeteria Santo Grão, em São Paulo. O encontro foi registrado em imagem pela Polícia Federal.

No mesmo diálogo, Saud questiona por que Loures não foi nomeado Secretário de Governo no lugar de Geddel Vieria Lima, já que o ex-parlamentar era um homem “suprapartidário”, ou seja, com trânsito dentro do PT ao PSDB. No lugar de Geddel, Temer nomeou Antonio Imbassahy (PSDB) para ampliar o espaço do tucanato no governo.

A reportagem do Poder360 tentou entrar em contato com Fachin e Loures para falar da gravação. O ministro não respondeu e Loures não foi localizado. 

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