Empresário da OAS mente sobre triplex, diz Vaccari

Ex-tesoureiro do PT afirma que nunca tratou com Léo Pinheiro questões sobre apartamento no Guarujá; carta com firma reconhecida foi entregue ao TRF-4 
 
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(Foto ABr)
 
Jornal GGN – A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu uma carta escrita e com firma registrada onde o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, afirma que o sócio da OAS Léo Pinheiro mentiu quando declarou em depoimento que Vaccari intermediou o recebimento do apartamento no Guarujá para Lula.
 
O documento, com data de 7 de fevereiro e firma reconhecida dia 22, foi apresentado pelos advogados de Lula nesta segunda-feira (26) no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).
 
“Não é verdade o que declarou o Léo Pinheiro em depoimento e delação premiada, que as doações feitas pela empresa OAS ao PT estariam ligadas a supostos pagamentos de propinas relacionadas ao contrato desta empresa com a Petrobras. Nunca tive qualquer tratativa ou conversa com Léo Pinheiro para tratar de questões ilegais envolvendo o recebimento de propina”, pontua Vaccari, preso em Curitiba desde março de 2015 condenado a 6 anos e 8 meses de prisão em três ações penais e absolvido em duas. 
 
“Também não é verdade o que diz Léo Pinheiro, que eu teria intermediado, em nome do ex-presidente Lula, o recebimento do triplex do Guarujá como pagamento de vantagens indevidas”, completou. 
 
O depoimento de Léo Pinheiro é o principal argumento utilizado pelo juiz federal Sérgio Moro e pelos desembargadores do TRF-4 para condenar o ex-presidente Lula. Mas, na verdade, nem sempre o empresário contou a mesma versão dos fatos para os investigadores da Lava Jato, como mostra a cronologia dos fatos.
 
Cronologia e acertos 
 
Pinheiro foi preso em novembro de 2014, mas apenas cinco meses depois, em abril de 2015, o Supremo Tribunal Federal aceitou o pedido da defesa de colocá-lo em prisão domiciliar. 
 
Em junho de 2016, o empresário pediu um acordo de delação premiada, apresentando informações sobre o esquema de propinas da Petrobras, entretanto sem incriminar Lula, segundo uma matéria publicada na Folha de S.Paulo, na época. A discussão para o acordo de delação segue até agosto, quando a Procuradoria-Geral da República decide encerrar as negociações com Léo Pinheiro e a OAS.
 
Em setembro daquele mesmo ano Pinheiro é preso novamente para “garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e segurança da aplicação da lei penal”, escreveu Moro no despacho. Em novembro é condenado a 10 anos e oito de prisão.
 
Em novembro, a 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) confirmou a condenação de Moro e aumentou a pena de Pinheiro para 26 anos e sete meses de prisão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema de propinas instalado na Petrobras. 
 
Em abril de 2017, o empresário troca de advogados e faz um novo depoimento para procuradores, desta vez incriminando Lula pontuando que seria o único responsável dentro da construtora pelo triplex e que não teria provas materiais do suposto acerto. Na ocasião a defesa da OAS disse:
 
“O apartamento era do presidente Lula desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop, já foi me dito que era do presidente Lula e sua família, que eu não comercializasse e tratasse aquilo como uma coisa de propriedade do presidente”. 
 
Em janeiro o TRF-4 reduziu a pena de Léo Pinheiro para três anos e seis meses, no mesmo inquérito que manteve absolvição do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, e dos ex-executivos da OAS Paulo Gordilho, Fábio Yonamine, Roberto Moreira Ferreira.. 
 
Os advogados do ex-presidente Lula argumentam que, ao recusar ouvir Vaccari, o juiz Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4 cometem “grave cerceamento de defesa”. 
 

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