“Estou cansado de mentiras”: Lula detalha a Bretas escolha do Rio para Olimpíadas 2016


Lula e Pelé comemoram, em 2009, a escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016 – Foto: AFP
 
Jornal GGN – De dentro da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, em transmissão de vídeo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestia uma gravata verde, azul e amarela, a mesma que usava em Copenhague, em 2009, quando comemorou a escolha do Brasil para sediar os Jogos Olímpicos de 2016.
 
Lula foi intimado a responder ao juiz federal do Rio, Marcelo Bretas, sobre as acusações que recaem contra o ex-governador Sérgio Cabral de que houve um pagamento de US$ 2 milhões para conseguir votos de delegados africanos para a vitória da cidade brasileira para sediar as Olimpíadas.
 
Ao detalhar como ocorreram as reuniões e todas as articulações feita pelo então presidente do Brasil, Lula, no exterior para receber os jogos e competições no Rio de Janeiro, o ex-presidente criticou a onda de “denuncismo” atual no país.
 
“Lamento que venha uma denúncia de corrupção de compra de delegados [do Comitê Olímpico Internacional] oito anos depois [da escolha da cidade sede das Olimpíadas]. Não sei quem fez a denúncia, não quero saber. Não conheço. Como estamos vivendo num momento de denuncismo, em que muita gente”, disse Lula, sem conseguir terminar a frase, em uma das diversas interrupções do magistrado.
 
Antes mesmo de dar início aos questionamentos, o ex-presidente disse que está “cansado de mentiras” e que não acredita que hoje “tenha um brasileiro que anda em busca da verdade mais do que eu”. 
 
A fala ocorreu porque o juiz Marcelo Bretas explicava os procedimentos padrões do depoimento de uma testemunha, de ter o compromisso de falar a verdade e de que ele poderia ser interrompido se o magistrado considerasse que a pergunta ou a resposta não fosse pertinente para o caso investigado.
 
“O meu compromisso é com a verdade. Não acredito que hoje no Brasil tenha um brasileiro que anda em busca da verdade mais do que eu. Estou cansado de mentiras. Quero a verdade”, disse Lula.
 
O ex-presidente estava transmitindo ao vivo de Curitiba. Do outro lado, Bretas estava acompanhado de Sérgio Cabral, quem convidou Lula para ser uma das testemunhas, de seus advogados, além dos procuradores da República e diversos jornalistas. Também antes de dar início à audiência, Cabral prestou condolências a Lula pela morte de dona Marisa Letícia.
 
O juiz perguntou a Lula sobre a agenda que manteve para conseguir apoio para a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas 2016. O ex-presidente lembrou, com expressões de agrado, os encontros que teve na China, na Dinamarca e na Suíça.
 
Na China, contou, foi convidado por um jantar realizado pelo presidente Hu Jintao. E disse que compareceu porque lá também estava George Bush, tentando convencer votos a favor da cidade norte-americana de Chicago.
 
“Eu fui lá para disputar e para mostrar que Brasil tinha mais cacife que eles para disputar os Jogos Olímpicos. Sou muito grato com o presidente Hu Jintao. Voltei para o Brasil com a esperança que a China ajudaria o Brasil e influenciaria em nosso favor”, detalhou.
 
A mesma cena teria se repetido na Dinamarca, quando a ex-primeira-dama Michele Obama fazia campanha também pelos EUA como sede. Neste caso, disse que Michele era “muito simpática” e que por isso não quis correr o risco e foi ao jantar com a rainha para defender o Brasil.
 
Mais especificamente sobre as acusações, Lula também mencionou que era normal que a comitiva africana apoiasse o Brasil, devido aos esforços já feitos por Lula para se aproximar da África, como as inúmeras embaixadas criadas e cooperações que teriam sido fundamentais para o apoio posterior.
 
Nessa linha, o ex-presidente explicou que o próprio Itamaraty foi orientado a pedir apoio por meio de embaixadas em diversos países que pudessem auxiliar o Brasil a obter a vitória da cidade sede junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI).
 
Claramente mostrando-se à vontade, o juiz chegou a comentar que Lula era “uma pessoa importante para o Brasil” e que ele próprio já havia feito comício para o ex-presidente, quando jovem, na avenida Presidente Vargas, em 1989.
 
“É relevante a sua história para todos nós. Para mim, inclusive, que aos 18, 17 anos estava aqui num comício na avenida Presidente Vargas com 1 milhão de pessoas. Vivíamos um momento diferente no país. Estava lá, usando boné e camiseta com o seu nome”, disse Bretas, após acabar a sessão.
 
“Quando fizer um comício agora, eu vou chamar o senhor para participar”, retrucou Lula, fazendo todos os presentes rirem. 
 
Assista à íntegra do depoimento:
 
https://www.youtube.com/watch?v=s8chIETQ8aI
 
 

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