EUA ainda não participou de acordo de delação dos irmãos Batista


Foto: Agência DPA
 
Jornal GGN – O acordo de delação premiada dos irmãos Wesley e Joesley Batista, da JBS, impactaram o país com as acusações contra o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Mas para entregar o que tinham em mãos, além dos depoimentos, grampos e comprovantes dos ilícitos cometidos, a Procuradoria-Geral da República acertou um acordo controverso, alvo de críticas pela imprensa nacional.
 
Entre as polêmicas, Wesley e Joesley ganharam a anistia total dos crimes cometidos, ainda por aqueles que não estão incluídos nas próprias acusações e confissões. Homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os empresários não poderão ser denunciados pelos delitos, ganhando a imunidade em outras investigações e o perdão judicial de denúncias que já pudessem ter sido oferecidas.
 
A diferente situação dos delatores acabou por se tornar um dos principais apoios de jornais tradicionais para criticar as delações e, inclusive, a procuradoria-Geral da República, comandada por Rodrigo Janot. O procurador, por sua vez, dedicou amplo espaço em colunas da Folha e do Uol para justificar que o teor das acusações valia o preço.
 
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Por outro lado, a empresa controlada pelos irmãos, a JBS, detem mais de 50% de seu lucro nos Estados Unidos, onde Joesley mantém um apartamento avaliado em quase R$ 100 milhões, em Nova York. Desde que as delações se tornaram públicas, o empresário mantem-se no país.
 
Por parte significativa da cartola da JBS depender do comércio norte-americano, a empresa responde à Justiça dos Estados Unidos. Por isso, receando estragos futuros à empresa, os irmãos passaram a tentar um acordo de leniência, junto ao grupo que controla a JBS, a holding J&F. 
 
Entretanto, a estadia de Joesley no país desde que as informações impactaram o Brasil levantou a suspeita de que autoridades ou órgãos de investigação norte-americanos teriam integrado o acordo fechado pela PGR, no Brasil, com os irmãos.
 
Em sua página no Facebook, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) gravou um vídeo dizendo ter certeza de que o acordo foi fechado não pelos procuradores brasileiros, mas pelo Departamento de Justiça dos EUA.
 
Consultada pelo GGN, a Procuradoria-Geral negou. “Informamos que não houve participação de cidadãos ou órgãos norte-americanos no caso”, disse, esclarecendo as informações.
 
Ainda assim, o interesse dos empresários em fecharam um acordo de leniência com os EUA não guarda relação com o já firmado no Brasil. Por isso, outro dos rumores era de que informações já prestadas pela JBS pudessem ser compartilhadas e repassadas a outros países.
 
O termo de colaboração prevê medidas neste caso. O compartilhamento só seria possível se os mesmos delatores obtivessem, no outro país, os mesmos benefícios. Ou seja, as autoridades estrangeiras teriam que acertar um acordo equivalente com os empresários, respeitando integralmente os termos já fechados no Brasil. 
 
Outra situação pode ser questionada na Justiça contra os irmãos Batista: Apesar de integrar os termos do pré-acordo, a informação de que os empresários morassem fora do Brasil sem a oposição das autoridades brasileiras não foi anexa aos autos do acordo de delação. Por isso, o fato de Joesley fixar residência no exterior pode levar a problemas judiciais aqui.
 
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