FAB insiste em não investigar autor de ameaças contra Lula em voo

 
Jornal GGN – Os dois áudios vazados com pessoas ameaçando o ex-presidente Lula, durante o voo da Força Aérea Brasileira (FAB) que o levou do aeroporto de São Paulo a Curitiba, para ser preso, podem ter partido de qualquer pessoa. A investigação para saber os autores das declarações, contudo, é considerada simples e compete à FAB, que até agora não se mostra interessada em realizar apuração.
 
“Podemos afirmar que as referências ao ex-presidente não foram emitidas por controladores de voo”, insiste a FAB, em nota divulgada a toda a imprensa. A certeza, contudo, não foi comprovada.
 
A possibilidade de o diálogo ter partido de um próprio controlador de tráfego aéreo surgiu porque em um dos áudios, o segundo a ser divulgado, teve a participação de três pessoas, sendo uma delas o piloto da aeronave e outra uma controladora de voo, conversando com o autor da ameaça.
 
“Tá autorizado abrir a porta aí, e colocar esse lixo pra fora”, disse inicialmente o sujeito, recebendo a imediata resposta do piloto do avião que levava Lula: “Atenção os colegas na fonia, vamos tratar só o necessário tá? Que é meu trabalho aqui, vamos respeitar nosso trabalho. Obrigado”.
 
“Eu respeito, mas manda esse lixo janela abaixo”, continuou a pessoa, o que levou a uma controladora de tráfego aéreo interferir no diálogo e comentar: “Pessoal, a frequência é gravada e ela pode ser usada contra a gente. Então mantenham a fraseologia padrão na frequência, por gentileza. Quem tá falando agora é o [inaudível]. Por gentileza, mantenham a fraseologia padrão”, solicita.
 
Em seguida, a mulher passa informações ao piloto sobre o tráfego e a rota de outra aeronave. 
 
Se a pessoa não identificada era ou não um membro da Força Aérea Brasileira ou controlador de tráfego, não há comprovações. Mas o verdadeiro autor das fortes declarações vazadas, enquanto o ex-presidente estava sendo levado em voo à prisão em Curitiba, pode ser facilmente descoberto pela FAB. 
 
“Quem estiver conectado pode ouvir e falar, seguindo as regras de tráfego aereo, devendo utilizar a fraseologia padrão e se identificar”, admitiu a própria Força Aérea na nota à imprensa.
 
Pelo teor lógico da conversa entre três pessoas, a conclusão inicial que se chega é que a pessoa fazia parte da Torre de controle aéreo. Entretanto, além de um controlador, por ser aberta, a comunicação pode sofrer interferência de qualquer um: desde uma rádio pirata, algum outro piloto sintonizado e também entusiastas da aviação que têm o hábito de acompanhar e escutar as comunicações de tráfego aéreo.
 
Para isso, é possível acessar a essas comunicações a partir de qualquer avião, seja ele de companhia aérea, particular ou não, mas também desde uma rádio. O vídeo gravado e divulgado pelo Jornal do Brasil e pela Revista Forum com a comunicação, por exemplo, mostra o display de um equipamento de rádio comum.
 
https://www.youtube.com/watch?v=5Wvvvw3mBjQ&feature=youtu.be width:700 height:394
 
Na imagem, aparecem duas numerações: a primeira é a que indica a origem da Torre de Controle aonde foi trocada a conversa. O número 118.900 indica a Torre do Aeroporto de Bacacheri, em Curitiba, Paraná. A lista das frequências da aviação pode ser encontrada em diversos sites e blogs na internet.
 
A própria FAB admitiu que um dos diálogos gravados foi feito desde essa Torre situada no município de Curitiba. “As frequências utilizadas para essas comunicações aeronáuticas são abertas. O objetivo é que todos na sua escuta tenham conhecimento do que está ocorrendo no tráfego aéreo, conduição importante para a manutenção da segurança operacional”, informou.
 
Para saber se o autor das declarações partiu de uma Torre de Controle, bastaria à FAB recuperar a comunicação entre o piloto e o controlador, na íntegra, e comparar a voz do funcionário que passava as orientações do tráfego, antes da ameaça, além de acessar o próprio registro da Torre, com o funcionário responsável por se comunicar com aquela aeronave no dia 7 de abril. 
 
Nenhuma informação a respeito disso foi divulgada ou fornecida pela Força Aérea, até agora. 
 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora