Fernando Bittar ofereceu vender sítio a Lula após mandato, narra Gilberto Carvalho

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Jornal GGN – Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, o ex-ministro Gilberto Carvalho desmentiu a tese da Operação Lava Jato contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o sítio de Atibaia, em São Paulo, confirmando a propriedade de Fernando Bittar, em episódio que ocorreu, ainda, somente depois do fim do mandato presidencial de Lula.
 
Ele foi chamado pela defesa de Marcelo Odebrecht, e não de Lula, e afirmou que a propriedade não era de Lula, mas do empresário Fernando Bittar, próximo do ex-presidente. A Lava Jato considera que o ex-presidente seria o verdadeiro dono do sítio e, ainda, que teria se beneficiado de mais de R$ 1 milhão com obras na propriedade, pagas pela Odebrecht e pela OAS, frequentada por Lula e por seus familiares. 
 
Ao contrário do que diversos jornais divulgaram nesta quarta-feira (09), o ex-ministro não arrolou Lula, ao contrário, confirmou que a propriedade era da família Bittar. “Para mim, a chácara era do Fernando [Bittar], que ofereceu [vender] para eles [Lula e sua esposa, dona Marisa]”, disse à Moro e à equipe de procuradores.
 
A acusação do Ministério Público Federal (MPF) é sustentada na teoria de que o ex-presidente seria dono da propriedade e que teria se beneficiado, como forma de propina, de reformas feitas no valor contado pelos procuradores em R$ 1,05 milhão, por meio das empreiteiras Odebrecht, OAS e pelo pecuarista José Carlos Bumlai.
 
Chamado por Marcelo, ex-presidente da Odebrecht, Gilberto Carvalho, que foi chefe do gabinete pessoal de Lula nos oito anos de mandato presidencial, contou que só soube da existência do tal sítio no dia 15 de janeiro de 2011.
 
Na data, Lula já tinha encerrado o mandato presidencial. No local, aonde estava ocorrendo uma festa com a presença da família Bittar e de Lula e dona Marisa, contou Gilberto, foi o ex-presidente que se aproximou do ex-ministro e disse que Fernando estava “oferecendo” a propriedade para venda. Mas que provavelmente não aceitaria, porque achava que Atibaia ficava “muito longe” e que “preferia uma coisa mais perto”.
 
Na ocasião que disse ter sido a única a ir ao local, o ex-ministro foi convidado pelo dono do sítio, Fernando Bittar, para uma festa junina e lá teria o papel de rezar o terço. Esclareceu que Jacó Bittar e Lula eram muito próximos. “Não havia visita que a família fizesse [à Brasília] que não fosse junto alguém da família Bittar, ou o Calil ou o Fernando”, narrou.
 
“Durante os oito anos [de governo Lula], não tive nenhuma referência, nenhuma informação”. Questionado novamente sobre as reformas, disse: “nunca foi comentado comigo essa história de chácara, vim a saber depois”.
 
Daquilo que eu sei, daquilo que me foi relatado pelo próprio presidente Lula na manhã seguinte, porque depois da festa, fomos dormir, e de manhã o presidente Lula me fez circular com ele para mostrar para mim como era aquela chácara. E ele me relatou, naquele momento, que no dia 15 de janeiro ele estava no Guarujá, de férias, a Marisa chamou a ele dizendo que havia uma supresa para ele, que era o Fernando oferecendo [a venda] de uma chácara para eles usarem”, contou.
 
“Depois de mostrar, ele [Lula disse: ‘eu to com uma dúvida, porque a Marisa gosta muito daqui, e o Fernando está disposto a vender para a gente, mas eu não sei se eu gasto, essa chácara é muito longe, eu preferia alguma coisa mais perto lá da Billings, onde eles têm uma pequena chácara, que a gente foi muito lá, eu fui muitas vezes’. Ele falou ‘não sei se vai dar muito certo'”, continuou.
 
Acompanhe o trecho do depoimento, divulgado pelo Uol:
 
 
 

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