Governo de Pernambuco comemora operação da PF que enfraquece oposição ao PSB; entenda

Atual líder do governo Bolsonaro no Senado e ex-ministro de Dilma, submetido à busca e a preensão, era cotado como sucessor “natural” ao governo; PF investiga possíveis desvios na transposição do São Francisco

Jornal GGN – A Polícia Federal realizou na manhã desta quinta-feira (19) a Operação Desintegração, cumprindo 52 mandados de busca e apreensão, incluindo em endereços ligados ao líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e ao seu filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (DEM-PE).

Segundo informações do blog de Ricardo Antunes, a ação da PF foi recebida com festa no Palácio do Campo das Princesas, sede administrativa do poder executivo do estado de Pernambuco. Isso porque Bezerra é cotado como principal sucessor ao governo em 2022, cadeira ocupada hoje por Paulo Câmara (PSB).

“Ouvido pelo blog, um deputado federal da bancada, e ‘oposição de carteirinha’ desabafou: ‘Se já era difícil bater a hegemonia do PSB em Pernambuco, com essa de hoje, o sonho de derrotar o PSB fica cada vez mais distante'”, escreve Antunes.

Fernando Bezerra Coelho vinha, desde as eleições passadas, sendo apontado como nome “natural” à sucessão no governo. O senador até pensou em se candidatar no ano passado, mas mudou de ideia após ter sido alvo de outra operação da Lava Jato.

Obras do São Francisco na mira

A operação da manhã desta quinta-feira (19) apura desvio de dinheiro público nas obras da transposição do Rio São Francisco e envolve informações das delações premiadas de doleiros e empresários.

Segundo delatores, houve contratos superfaturados ou fictícios vinculados ao Ministério da Integração Nacional, na época em que Bezerra Coelho, então do PSB, era ministro de Dilma Rousseff (PT).

O inquérito que investiga o caso foi instaurado em 2017, especificamente, a partir da delação de dois empresários presos na operação Turbulência deflagrada pouco antes, em 2016, e que prendeu os donos do avião que caiu com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

Leia também: Decisões de Temer e Bolsonaro colocam em risco Transposição do São Francisco

Os delatores afirmam que Fernando Bezerra Coelho e seu filho receberam, entre 2012 e 2014, propinas pagas por empreiteiras que fizeram obras relacionadas ao Ministério da Integração. Com isso, parte dos recursos para a transposição do Rio São Francisco e do canal do Sertão teria sido desviado para fins políticos.

Esse assunto também foi abordado na delação premiada homologada semana passada pelo Supremo Tribunal Federal de executivos da OAS.

Os mandatos de busca e a apreensão, autorizados pelo ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso, incluíram os gabinetes de Fernando Bezerra Coelho e seu filho no Senado e na Câmara, onde os agentes da PF passaram a manhã toda.

Em nota ao jornal Folha de S.Paulo, o advogado do senador, André Calligari disse que “causa estranheza à defesa que medidas cautelares sejam decretadas em razão de fatos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação”.

“A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal”, completou.

Calligari afirmou também que a Procuradoria-Geral da República opinou contra a busca, mesmo assim, o ministro Barroso autorizou o pedido o que causa “ainda mais estranheza”.

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