Grupos de extermínio e Lava Jato: a ficha de Ramagem, novo chefe da Polícia Federal

Alexandre Ramagem coordenou a segurança da campanha de Jair Bolsonaro antes de chegar à Abin e, agora, deve assumir a Polícia Federal

Jornal GGN – Antes de comandar a Abin, a agência que produz informações de inteligência para o presidente Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem atuou em operações contra o crime organizado, no braço fluminense da Lava Jato e na repressão a grupos de extermínio – como o Escritório do Crime, cujo líder Adriano Nóbrega, morto em operação policial, era suspeito de ter relação com o esquema de rachadinha de Flávio Bolsonaro e na execução da vereadora Marielle Franco.

Amigo pessoal de Carlos Bolsonaro, Ramagem foi escolhido a dedo pelo presidente da República para assumir a diretoria-geral da Polícia Federal após a exoneração de Maurício Valeixo, homem de confiança de Sergio Moro.

Em meio às notícias de que a PF estaria cada vez mais perto de pegar Carlos pelos crimes do “gabinete do ódio”, Moro saiu do governo na sexta (24) alegando que há interferência política na direção-geral e nas superintendências da corporação, com o objetivo de dar a Bolsonaro acesso a informações privilegiadas de inquéritos em andamento.

A relação aparentemente íntima entre Ramagem e os Bolsonaro provocou reações na oposição. O deputado federal Marcelo Freixo afirmou no sábado (25) que aguarda apenas a publicação no Diário Oficial da União para ingressar com ação na Justiça contestando a nomeação do delegado.

Ramagem está na raia da família presidencial desde a eleição de 2018, quando foi destacado para ser o coordenador da segurança do então candidato a presidente do PSL. Naquela campanha, Adélio Bispo conseguiu o feito histórico de furar o bloqueio da polícia e desferir um golpe de faca em Jair Bolsonaro.

Após a vitória eleitoral do líder da extrema-direita, em fevereiro de 2019, Ramagem foi nomeado Superintendente da PF no Ceará, mas não chegou a assumir o posto. Foi indicado para assessorar a Secretaria de Governo da Presidência, auxiliando diretamente o então ministro general Carlos Alberto Santos Cruz – exonerado em junho daquele mesmo ano após divergências por conta do “estilo de comunicação” do governo.

No mês seguinte à saída de Santa Cruz, Ramagem então assumiu a Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. Na sabatina no Senado, expôs seu histórico profissional, destacando a experiência com crime organizado e grupos de extermínio.

“Em 2011, assumi em Brasília a unidade de repressão contra crimes contra a pessoa. Iniciou-se um período de intensa capacitação do efetivo da PF nesta expertise. Assumi nessa função a presidência das investigações da Polícia Federal com tramitação no Superior Tribunal de Justiça. Operações policiais de combate a grupos de extermínio foram deflagradas em vários estados do País, construindo integração com informações de inteligência com diversas secretarias de segurança”, narrou.

Desde 2012, Ramagem é professor da Academia Nacional de Polícia e ministra a disciplina de “repressão a homicídios e grupos de extermínio”, além de gestão de efetivos da PF e de aperfeiçoamento e planejamento de operações policiais.

“Em 2017, tendo em conta a evolução dos trabalhos da operação Lava Jato no Rio de Janeiro, foi convidado a integrar a equipe de policiais responsáveis pela investigação e inteligência de polícia judiciária no âmbito dessa operação”, diz o documento debatido pelos senadores.

Ramagem tem um irmão, Bruno Ramagem Rodrigues, que também é agente de Polícia Federal.

Leia mais sobre o perfil do profissional aqui.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora