Haddad seria testemunha de Lula por Moro em dia de debate

Diante da possibilidade de Haddad ser intimado em dia de debate da Band e por figurar como o atual vice de Lula, advogados desistem da testemunha
 

Foto: Ricardo Stuckert
 
Jornal GGN – Como parte da estratégia eleitoral, os advogados do ex-presidente Lula irão desistir de ter Fernando Haddad como testemunha da defesa nos processos da Lava Jato, mais especificamente, das obras no sítio de Atibaia (SP).
 
O ex-prefeito era um dos convidados pela defesa a prestar informações no caso. Mas além de ser o coordenador de campanha de Lula e ser listado como advogado, agora Haddad é o vice na chapa petista, e o partido quer evitar mais exposição jurídica do possível cotado a assumir a disputa eleitoral, caso Lula seja impedido.
 
Além disso, enquanto o ex-presidente está sendo impedido pela Justiça de participar de debates políticos, ainda que tendo a seu favor o respaldo jurídico e eleitoral para participar, Haddad deve ser orientado pela Executiva Nacional do PT a acompanhar os debates, para pelo menos apresentar o projeto de governo de Lula. 
 
De maneira pública, mesmo após ser registrado como o vice no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Haddad continua evitando ser relacionado a um plano B do partido, e segue afirmando que Lula é a única opção. 
 
Na Justiça, os advogados que sustentam a defesa de Lula nos processos penais na Lava Jato informaram que Haddad agora é vice do ex-presidente do pleito eleitoral e, por isso, desiste de intimá-lo como testemunha do caso de Atibaia. Além disso, sustentou que Haddad está registrado como advogado de Lula.
 
O atual vice do petista seria convocado pelo juiz Sérgio Moro no processo de Atibaia para prestar depoimento nesta quinta-feira (09). A data é a mesma do primeiro debate entre candidatos a presidente, realizado pela Band. Caso Lula seja impedido de participar, Haddad é quem deve marcar presença.
 
 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

4 comentários

  1. Evidente q para a midia, os debates não são de interesse público

    Fazem parte do esforço de campanha para seu(s) candidato(s).

    Vide Collor x Lula na Globo

  2. Uma análise: Wanderley Guilherme dos Santos

    “Balancete” [ sugestão pra se ler devagar, em tela grande, e reler – dá no que pensar – e repensar ]

    http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=559

    Em matéria de estratégia, a do PCdoB foi a de maior êxito. Ameaçado pela nova legislação de perder privilégios parlamentares, sem assento em comissões, mesas diretoras, fundo partidário e tempo de televisão, as eleições proporcionais são o objetivo primordial do partido. Associando-se a chapas fortes, contará com votos dos partidos das coalizões para eleger seus candidatos. A apresentação de Manuela como candidata a presidente foi audaciosa. Destinada a ser absorvida, a candidatura ficou à beira do precipício com a escolha de Katia Abreu por Ciro Gomes. Se Lula continuasse a recusá-la o PCdoB teria que enfrentar sozinho a competição presidencial, provavelmente não tendo votos para atender à exigência da lei eleitoral para a representação no parlamento. Estratégia bem traçada e bem executada.

    Ciro Gomes é o único capaz de promover duas campanhas simultâneas. Katia Abreu dispõe de personalidade e capacidade de articulação que a permitem fazer campanha em um lugar enquanto Ciro circula em outra praça. Marina Silva ou Geraldo Alkmin não contam com tal recurso. No PT, já com o problema de informar a seu eleitorado que o candidato não é o Haddad, mas Lula, exceto se Lula for impugnado, Manuela não tem como se apresentar senão junto com Haddad, deixando claro que, se Lula for candidato, o vice não será o Haddad, ali presente, mas ela, que, por ora, não é nada. Um pequeno transtorno será explicar, caso perguntem, o que acontecerá com Haddad, se Lula for candidato: voltará a dar aulas no INSPER, colégio de radicais antipetistas, ou será confirmado, não como o mensageiro de Lula, mas como vice mesmo? Aí o destino incerto será da Manuela. Nada disso tem importância para o eleitor, segundo os estrategistas do PT e seus porta-vozes na imprensa alternativa, porque eleger Lula ou seu preposto é o que importa. Mais nada.

    Quanto a programas, Marina Silva, não obstante assessores de peso, não abre mão de confundir o eleitor com seu estilo baixo austral de Augusto dos Anjos. As votações que tem obtido são o maior mistério do comportamento eleitoral brasileiro. Se ela afirmar que, com os erros e roubalheiras do passado recente, pior do que está não pode ficar, será considerada uma declaração socrática – tipo, eu só sei que nada sei -, embora um plágio de Tiririca, cuja votação é igualmente incompreensível. Alkmin dispensa apresentar programas porque já é conhecido há vinte anos. O cartapácio do PT rebobina programas conhecidos, acrescenta velhuscas bandeiras como um imposto sobre fortunas e ignora por completo o complexo desafio da revolução industrial ponto 4 sem fazer ideia do problema de emprego que o País terá pela frente. Refere-se à intervenção no mercado da informação, sem maiores esclarecimentos, e serve a fantasia de reforma política junto com a promessa de uma Assembleia Nacional Constituinte. Mas a segunda, se cumprida, não promoveria a primeira? Talvez não, pois, segundo os pensadores petistas, os deputados não alteram as condições que lhes proporcionaram o mandato. Bem, fora a grosseira análise de como funciona um parlamento, onde pensam buscar candidatos e eleitores distintos dos atuais? Quanto a isso o programa oferece o conhecido escapismo de que tudo será feito depois de ampla consulta à população. Bem, não importa porque o projeto real é eleger Lula ou quem ele mandar.

    O programa de Ciro Gomes tenta apresentar diagnósticos específicos de vários problemas materiais e esboça linhas de ação para minorá-los. Há substância para discussões relevantes, inclusive sua tese de que o presidencialismo é a fonte de todos os males e o parlamentarismo um primor de engenharia: se não está funcionando, o grupo deixa o governo e outra eleição, ou indicação do próprio parlamento, escolhe o grupo substituto. Não haveria o problema agônico da sucessão que precisa esperar quatro, cinco ou seis anos para solucionar um vexame como o de Michel Temer, por exemplo.

    Ocorre que a Alemanha dos anos 30 era parlamentarista, na companhia de Portugal salazarista e outros da mesma cepa. Ciro está equivocado quanto à história das formas políticas. Em compensação, tem revelado conhecimento e preocupação com o ingresso do Brasil na ordem robótica, com a perspectiva de se tornar um dos países cronicamente proletários no mundo da automação. Mas todas as entrevistas são desperdiçadas com debates sobre o temperamento do candidato, suas relações com o PT e Patrícia Pilar. Ou seja, a imprensa convencional também não quer saber do programa de ninguém: já tem seu candidato tanto quanto parte considerável da imprensa alternativa. Pensamento único em todos os canais de comunicação.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome