Indiciamento da Zelotes contra Lula e ex-ministros do PT alarma por acusação sem provas


Foto: Wilson Dias / ABr
 
Jornal GGN – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi indiciado pela Polícia Federal no andamento das investigações da Operação Zelotes. O documento não tem validade em processos penais e tem peso, apenas, como ferramenta de investigação da PF. Em resposta, a defesa de Lula disse que “repudia toda e qualquer ilação sobre seu envolvimento em atos ilícitos a respeito da edição da MP 471, alvo da Operação”.
 
Em nota emitida logo após as publicações noticiosas de que Lula estava sendo alvo de mais um indiciamento, como se o mesmo equivocadamente valesse de forma acusatória no andamento do processo na Justiça, os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira alertaramn que nem sequer tomaram conhecimento do indiciamento. 
 
“Desconhecemos o documento emitido hoje pela Polícia Federal, mas reforçamos que Lula foi submetido, nos últimos dois anos, a verdadeira devassa e nenhuma prova foi encontrada, simplesmente porque não houve de sua parte qualquer ato de corrupção, ao contrário do que tem afirmado seus acusadores”, afirmou a defesa em comunicado.
 
Sem significar culpa ou condenação, mas a imputação do ex-presidente no inquérito policial, os delegados que investigam acreditam haver indícios suficientes de autoria de Lula no suposto crime de corrupção passiva.
 
A investigação apura a venda de uma medida provisória, a 471, estendendo incentivos fiscais a montadoras e fabricantes de veículos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, como forma de interesse. Segundo o documento da PF, não apenas Lula, como também outras 12 pessoas, incluindo ex-ministros do governo do ex-presidente e empresários, foram apontados como alvos do inquérito.
 
O relatório da Polícia Federal segue agora para o Ministério Público, que analisa se há a necessidade de mais diligências para incrementar na investigação e, somente então, verificar se é o caso de apresentar uma denúncia oficial à Justiça. A tese dos delegados é que lobistas que representavam as montadoras repassaram propina na quantia de cerca de R$ 6 milhões ao PT para que a Medida Provisória fosse publicada.
 
Dessa forma, também foi indiciado Gilberto Carvalho, ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do governo de Dilma Rousseff. Em nota, Gilberto disse estar absolutamente indignado com a suposta acusação da Polícia Federal e que recebeu a notícia com surpresa.
 
“Tive a honra de servir por oito anos ao Presidente Lula e acompanhar seu zelo em fazer crescer nossa economia, a distribuição da renda e o estímulo à produção automobilística. As medidas provisórias de estímulo à descentralização da produção visavam unicamente a estes objetivos, de fazer o desenvolvimento se espalhar por regiões como o Nordeste e o Centro Oeste”, disse.
 
Os advogados de Lula lembraram que o ex-presidente vem sendo alvo de ataques, que consideram “perseguição política por meio de procedimentos jurídicos”. “Essa onda de ataques só serve para reforçar que nosso cliente é vítima de perseguição política por meio de procedimentos jurídicos, pratica reconhecida internacionalmente como lawfare, e que atenta contra o Estado Democrático de Direito”, manifestaram.
 
“Só a decisão premeditada de fazer valer tudo nessa guerra jurídica e política pode ter levado membros da PF a tomar esta iniciativa. Só o ódio que cega pode ter levado funcionários públicos que deveriam zelar pela respeitabilidade de sua Instituição a praticar tamanho absurdo”, afirmou Gilberto Carvalho.
 
O ex-ministro indicou que os próprios delegados da PF sabiam disso e que “leram” em seus “olhos” e em sua “emoção indignada esta verdade”. “Se agentes bandidos e parlamentares que apoiaram o golpe se envolveram em negociatas com as empresas, que sejam eles punidos, e não nós que só fizemos lutar por este País. Não é justo que sejamos perseguidos por um ódio que não cultivamos, pelo simples fato de contradizermos interesses de um projeto que agora destrói o País”, acrescentou.
 
Gilberto ressaltou, também, que ele não pode ser condenado somente “porque um lobista anotou meu nome para uma reunião que nunca existiu” e disse esperar que o Ministério Público analise com cuidado o inquérito “infundado” e “não aceite mais esta demonstração clara de perseguição política por parte de membros de um órgão do Estado brasileiro”.
 
A Operação Zelotes iniciou apurando os desvios no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda e que julga recursos referentes a impostos e multas de contribuintes a nível administrativo. Processos desdobrados da Zelotes apontam que grandes executivos, incluindo o próprio presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, são réus por terem participado de um esquema envolvendo o pagamento de propina a conselheiros para manipulares os resultados dos julgamentos.
 
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