Inquérito de grampo ilegal de Youssef foi arquivado e sob influência de Moro

O ex-juiz teria interferido diretamente na paralisação da primeira sindicância interna. Hoje o caso é divulgado pela grande imprensa

Jornal GGN – A Lava Jato de Curitiba arquivou de forma “abrupta e antecipada” uma investigação da Polícia Federal sobre um grampo ilegal na cela do doleiro Alberto Youssef. A informação da Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (09) já havia sido divulgada pelo jornalista Marcelo Auler, que apontou ainda a interferência direta de Sergio Moro na paralisação da sindicância interna.

Trata-se de uma apuração dentro da Polícia Federal, de 2017, sobre um grampo instalado em 2014 dentro da cela do doleiro e investigado da Lava Jato, Alberto Youssef, tentando verificar o que motivou essa escuta. O delegado que investigava a ilegalidade, Marcio Magno Xavier, pediu à Justiça Federal a prorrogação do prazo de apuração interna.

O documento com este pedido foi obtido pela Folha e nele Xavier afirma que “os procuradores atipicamente requerem requerem o arquivamento do inquérito policial, antes mesmo da realização de diligências básicas e da confecção do relatório final”. Entretanto, o juiz que analisava o caso, Nivaldo Bruinoni, atendeu aos procuradores e engavetou a sindicância.

A Folha ressalta ainda que o magistrado federal Brunoni é o mesmo que retirou da pauta de julgamento do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Publico) a suspeição do coordenador da Lava Jato de Curitiba, Deltan Dallagnol. O caso, mesmo arquivado, permanece em sigilo.

Em julho deste ano, o blog de Marcelo Auler divulgou mais detalhes sobre essa apuração, a sindicância SI-04/2014-SR/DPF/PR, informando que o próprio ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro, e atual ministro da Justiça, interferiu diretamente para que o caso fosse engavetado. Isso porque a corregedora Rosicleya Baron de Albuquerque Barradas havia encaminhado a Moro a investigação interna antes mesmo de ter sido concluída:

A apuração interna sobre o grampo ilegal na cela de Youssef passou por várias sindicâncias. Em uma delas, gerou um inquérito policial, que foi aberto a partir da segunda sindicância, e havia sido presidida pelo delegado Alfredo Junqueira, corregedor do DPF em Brasilia, em foi arquivado pelo juiz Bruinoni, da 23a Vara Federal de Curitiba.

O documento do delegado Marcio Magno informando que a apuração ainda não havia sido concluída e questionando a postura dos procuradores da Lava Jato já havia sido antecipado por Auler. A relação de Moro no caso está na primeira sindicância, que gerou a segunda e que provocou a abertura desse inquérito policial que foi arquivado.

Naquela primeira apuração, Moro recebeu da delegada Rosicleya Baron a apuração antes de ter sido concluída, opinando sobre a apuração. O delegado federal Mauricio Moscardi Grilo, que presidiu essa primeira sindicância, foi apontado de querer abafar o uso dessa escuta ambiental na cela, e prestou depoimento, já em 2017, admitindo a interferência de Sergio Moro. O depoimento do delegado pode ser conferido abaixo:

Posteriormente, a segunda sindicância confirmou a existência do grampo ilegal, conclusão que havia sido abafada por Moscardi, após a interferência de Moro, mas o caso finalmente já em inquérito policial foi novamente engavetado.

Mais detalhes sobre o caso podem ser lidos na reportagem de julho deste ano, no blog de Marcelo Auler.

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