Janot fez o que o PSDB queria: separar “caixa 2 do bem” do “caixa 2 do mal”

Jornal GGN – O procurador-geral da República Rodrigo Janot entregou ao Supremo Tribunal Federal, na noite de terça (14), 82 pedidos de inquéritos feitos com base nas delações da Odebrecht, incluindo nomes do PSDB como Aécio Neves, José Serra e Aloysio Nunes, além de ministros de Michel Temer.

Porém, ao contrário do que fez na chamada “primeira lista de Janot”, o chefe do Ministério Público Federal decidiu, nesses requerimentos, atender a um pleito público do tucanato: separar o joio do trigo, ou seja, especificar quem recebeu o “caixa 2 do bem” (doações eleitorais sem registro) e o “caixa 2 do mal” (doações eleitorais sem registro como pagamento de propina).

Segundo o jornal, se o ministro relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, autorizar a instauração dos inquéritos, o “desafio” do MP e da Polícia Federal será provar o “motivo pelo qual o dinheiro foi entregue” ao políticos e partidos que fizeram uso de caixa 2.

Delações vazadas há algumas semanas mostraram que apenas Aécio Neves teria solicitado e recebido R$ 9 milhões da Odebrecht. Após o impacto da delação, o senador e o presidente de honra do PSDB, ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sairam em defesa da distinção entre as modalidades de caixa 2.

O discurso de Aécio é no sentido de que o PSDB jamais poderia ser culpado de ter praticados crimes eleitorais no nível do PT por um motivo muito simples: não fazia parte do governo para receber as doações como contrapartidas a contratos com estatais, entre outros esquemas.

Segundo a Folha, Janot não fez essa diferenciação nas denúncias ligadas à primeira lista entregue ao Supremo, em 2015, porque àquela época a PGR não tinha “tantos detalhes” dos esquemas de corrupção como tem agora, por causa da colaboração da Odebrecht.

Ainda de acordo com a reportagem, quem for pego pelo “caixa 2 do bem” terá uma pena mais branda – exatamente como querem os entusiastas da anistia ao caixa 2.

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