Lava Jato acusa também STJ de favorecer decisões para Fecomércio

Lava Jato implica Eduardo Martins, filho do presidente do STJ, Humberto Martins, de receber supostos R$ 82 milhões para manter Orlando Diniz na Fecomércio do Rio

Foto: Divulgação

Jornal GGN – Parte das acusações da Operação Lava Jato desta quarta (09) mirou o advogado Eduardo Martins, filho do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, acusado de atuar diretamente nas decisões dos ministros da Corte.

A peça do MPF, que coloca em uma mesma suposta “organização criminosa” os advogados de Lula, Cristiano Zanin e Roberto Teixeira, e o então presidente da Fecomércio do Rio de Janeiro, Orlando Diniz, também acusa o filho do ministro de receber cerca de R$ 82 milhões de Diniz para, segundo os procuradores, mantê-lo no cargo.

Leia também:

Lava Jato faz operação “estranhíssima” e “pirotécnica” contra advogados de Lula

Lava Jato orquestrou operação da PF com início da ação penal contra Zanin e outros investigados

A Lava Jato também implica o ex-ministro e ex-presidente do STJ, Cesar Rocha. Já Humberto Martins assumiu a Presidência da Corte no final do mês passado, ocupando antes a Corregedoria Nacional de Justiça.

A Lava Jato acusou três supostos episódios em que o filho do ministro teria recebido as quantias para, na tese dos procuradores do Rio e acatada pelo juiz Marcelo Bretas, atuar na organização criminosa.

“De forma livre e consciente, entre 23.12.2015 e 29.4.2016, em quinze oportunidades diferentes, Eduardo Martins desviou para si e para Cesar Rocha, com a ajuda também livre e consciente de Orlando Diniz e Cristiano Zanin, R$ 37.400.000,00 (trinta e sete milhões e quatrocentos mil reais) do SESC/RJ e do SENAC/RJ”, acusou em um deles.

“De forma livre e consciente, entre 23.12.2015 e 4.7.2017, em vinte e três oportunidades diferentes, Eduardo Martins desviou para si, com a ajuda também livre e consciente de Orlando Diniz e Cristiano Zanin, R$ 40.100.000,00 (quarenta milhões e cem mil reais) do SESC/RJ e do SENAC/RJ”, acusou, no segundo.

O ex-ministro Asfor Rocha respondeu que “as suposições feitas pelo Ministério Público em relação a nosso escritório não têm conexão com a realidade”. “Jamais prestamos serviços nem recebemos qualquer valor da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, tampouco de Orlando Diniz”, acrescentou.

Em uma terceira acusação, relativa a 2014, a denúncia acusa Orlando Diniz e Eduardo Martins de supostamente “ocultaram e dissimularam a natureza e a origem ilícitas de R$ 5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil reais), convertendo-os em ativos lícitos, mediante idealização e elaboração de dois contratos de honorários advocatícios ideologicamente falsos”.

Apesar de narrar que não foram prestados serviços, os escritórios de advocacia emitiram 23 notas fiscais que justificam os pagamentos. Mas, na visão da Lava Jato, “todos esses documentos ideologicamente falsos na medida em que os serviços neles especificados não foram prestados”.

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora