Lava Jato usa morte de dona Marisa para dar fôlego ao caso do sítio

Em 2016, a Lava Jato recusou delação de Alexandrino Alencar por achar que ele protegia Lula. Agora, vazamento de acordo homologado mostra que delator implicou dona Marisa
 
 
Jornal GGN – Com mais um vazamento, a operação Lava Jato tenta dar fôlego às investigações do caso do sítio de Atibaia, em que Lula é acusado de receber vantagens indevidas da OAS e Odebrecht através de obras no espaço.
 
Dessa vez, o vazamento é de delação do ex-diretor de relações institucionais Alexandrino Alencar, detalhando um suposto encontro com a ex-primeira-dama Marisa Letícia, em Brasília, ocasião em que ela teria falado da parte da reforma de responsabilidade da Odebrecht. 
 
Segundo informações da Folha, Alencar disse na delação que encontrou dona Marisa – vítima fatal de um AVC em fevereiro deste ano – em um evento no Centro Cultural do Banco do Brasil, em 2010, “durante a comemoração do aniversário de Lula.”
 
“Marisa teria pedido a ajuda do delator porque temia que as obras no sítio de Atibaia não terminassem antes do fim do ano, quando Lula sairia da Presidência. Até aquele momento as reformas estavam sendo tocadas por uma equipe contratada pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente”, diz o jornal.
 
Alencar teria resolvido a questão deslocando funcionários da Odebrecht para a reforma, que custou, ao todo, cerca de R$ 500 mil, tudo por conta da Odebrecht. A OAS teria feito, depois, reforma na cozinha do sítio.
 
O delator ainda disse que a reforma foi feita para agradar o ex-presidente Lula, não havendo qualquer contrapartida, como contratos superfaturados com o governo. Ou seja, sinalizou que não há crime no caso do sítio de Atibaia, pois a reforma teria sido feita com recursos da empresa privada.
 
Esse trecho da delação de Alencar – que faz parte do pacote enviado pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal – desmonta boa parte das suspeitas em torno do sítio, mas não é nenhuma novidade para a Lava Jato. 
 
A informação foi publicada pela primeira vez em dezembro de 2016, pela própria Folha, numa reportagem sobre a força-tarefa recusar acordo de cooperação com o ex-diretor da Odebrecht por achar que ele estava protegendo Lula. 
 
“O sítio de Atibaia é outro ponto de atrito. O ex-executivo afirma que o valor de R$ 1 milhão gasto em benfeitorias pela Odebrecht na propriedade frequentada por Lula foi um agrado pela atuação do petista a favor do grupo baiano, e não uma contrapartida a determinados contratos com o governo federal”, disse a Folha. Leia mais aqui.
 
Alencar, afinal, conseguiu fechar um termo de delação. Que, como mostrou a Folha desta quinta (23), implicava diretamente dona Marisa Letícia, relatando um encontro que ela não pode rebater. Muito menos Lula, já que o delator disse nunca ter conversado com o petista sobre este assunto.
 
 
Em 28 de janeiro deste ano, a Polícia Federal pediu mais tempo para concluir o inquérito do sítio de Atibaia. A força-tarefa prometeu finalizar essa investigação em outubro de 2016. A apuração foi anunciado em 22 de fevereiro de 2016.
 
Em fevereiro passado, a Lava Jato também requentou material contra Lula, mas no caso triplex. Foi vazado à revista Veja um possível contrato de compra de apartamento no Condomínio Solaris, no Guarujá, onde o ex-presidente é acusado de possuir, de forma oculta, um triplex que está em nome da OAS. O material já estava nos autos da ação que Moro aceitou em setembro de 2016.
 
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