Lava Jato: Toffoli fala de delações “sem fatos ilícitos” e “juízes autoritários”

"Ministério Público, no passado, firmava acordos sobre fatos que não eram ilícitos penais. (...) Dava uma repercussão na imprensa impressionante. E aí as pessoas já pensam em ser candidatas."

Foto: Glenio Dettmar/CNJ

Jornal GGN – Além das críticas diretas à Lava Jato de Curitiba no Congresso Internacional de Direito Negocial, nesta terça (27), o ministro Dias Toffoli também falou que as delações premiadas foram fechadas sem “fatos ilícitos” e criticou “juízes autoritários”.

As duas declarações foram entendidas como novas críticas à Lava Jato, tanto aos procuradores da força-tarefa de Curitiba, como ao ex-juiz Sérgio Moro. As informações foram divulgadas por coluna de Bela Megale, nesta sexta (30).

Neste primeiro caso, Toffoli descreveu a metodologia aplicada pela Lava Jato como forma de pressionar investigados a colaborar: “O Ministério Público, hoje nem tanto, foi um aprendizado, mas o Ministério Público, no passado, inclusive a Procuradoria-Geral da República, firmava acordos sobre fatos que não eram ilícitos penais. Aí o colaborador, que é instado a colaborar, pensa que determinado fato que ele fez era ilegal, quando não foi. Aí o MP coloca aquilo num anexo, o fato não é crime e aquilo é arquivado”.

“A culpa foi do colaborador ou foi do Estado, que aceitou aquilo como um meio de descoberta de prova? Mas prova do quê, se o fato relatado não era crime?”, questionou, antes do ministro do Supremo concluir o objetivo da estratégia: “Ah, mas dava uma repercussão na imprensa impressionante. E aí as pessoas já pensam em ser candidatas à presidência da República, a governador de estado.”

A referência à “candidatas à presidência” e a “governador” incluiria todos os lavajatistas e apoiadores da Operação. Questionado todas as vezes que é interpelado pela imprensa, Sérgio Moro não negou, até hoje, que tentará a disputa ao cargo máximo da República.

Novamente sem falar em nomes, Toffoli questionou o autoritarismo de juízes: “vejam o que nós passamos nos últimos tempos”, completou, em clara referência a Moro.

“O estado é vocacionado a ser autoritário. E o juiz que é vocacionado a ser autoritário não é juiz, ele não entende o Estado em que vive. Vejam o que nós passamos nos últimos tempos. Não vou entrar por essa seara”, foi a fala do ministro, durante a palestra.

 

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5 comentários

  1. “…delações “sem fatos ilícitos” e “juízes autoritários…” PAREM O MUNDO QUE PRECISO DESCER !!! Logo ali depois de Marte !!!! Quer dizer que o Estado Brasileiro e seu Poder Judiciário produziram tudo isto sob uma tal farsante Constituição Cidadã, sob o crime do Supremo Tribunal Federal e seus onde Juízes, sendo que Toffolli chegou a presidir tal Superemo? Então quem poderia e deveria ter obrigado a aplicação da Constituição? Alguém precisava ter feito alguma coisa, suplica Dias Toffolli !!! Quem?! Pobre país rico. Seria circo se não fosse barbárie. Mas de muito fácil explicação.

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