Lava Jato usa dados colhidos no caso triplex em novo inquérito contra Lula

Foto: Instituto Lula
 
 
Jornal GGN – Os depoimentos dados por Léo Pinheiro, Renato Duque e Lula a Sergio Moro, que pertencem à ação penal do caso triplex mas não estão conectados ao apartamento, serão usados pela Lava Jato para construir um novo inquérito contra o ex-presidente. É o que diz reportagem do Estadão, nesta segunda (15).
 
A Lava Jato considerou uma vitória que Lula tenha admitido encontros com Renato Duque e Léo Pinheiro, inclusive na presença de João Vaccari Neto, ao longo de 2014, quando a operação já estourava na mídia.
 
A moro, Pinheiro disse que em um dos encontros com Lula, o ex-presidente teria perguntado dos pagamentos da OAS via caixa 2 em contas no exterior, e mandado destruir provas dessas transações.
 
Já Renato Duque disse que Lula o abordou sobre sua conta no exterior, e também teria dito que não deveriam existir provas de pagamentos de propina ao ex-diretor da Petrobras, que foi indicado pela bancada do PT.
 
Lula, por sua vez, confirmou o encontro com os dois, mas negou que tenha determinado a destruição de provas preciosas para a Lava Jato. Com Léo Pinheiro, afirmou ter tratado de palestras, viagens, economia e o triplex. Com Duque, porém, admitiu que quis saber se existia conta no exterior. Duque negou.
 
O ex-presidente admitiu ainda um terceiro encontro explorado pela Lava Jato, este com Sergio Machado. Delator, o ex-presidente da Transpetro é o responsável por fazer a gravação de conversa com Romero Jucá sobre o “acordão” para estancar a Lava Jato. Lula disse que com ele discutiu navios contratados pela Petrobras.
 
“Procuradores e policiais da força-tarefa avaliam que apesar de Lula ter negado as tentativas de enfrentamento à Lava Jato, narradas por outros réus, a confirmação das reuniões fornecem elementos para aprofundar apurações sobre novos crimes”, informou o Estadão.
 
Sobre o triplex, Pinheiro disse que a reforma, que custou pouco mais de R$ 1,2 milhão foi feito para agradar a família de Lula, totalmente paga com recursos lícitos da OAS Empreendimentos. Pretenso delator, Pinheiro disse ainda que caso Lula não quisesse o imóvel, não consideraria a reforma um prejuízo, pois o valor seria descontado de propinas que a OAS deixaria de pagar ao PT.
 
A ação penal caminha para a reta final após o depoimento de Lula, no último dia 10. Segundo o Estadão, a sentença de Moro deve sair até o final de julho.
 
Para a defesa de Lula, a tentativa da Lava Jato de explorar os depoimentos colhidos no caso triplex para processar o petista mais uma vez  – ele já é réu em duas ações penais com Moro, e responde a outros três processos em Brasília – comprova que existe uma perseguição política.
 
“Qualquer iniciativa da Lava Jato neste momento servirá para reforçar que Lula é vítima de perseguição política por meio de procedimentos jurídicos, prática conhecida internacionalmente como “lawfare” e que atenta contra o Estado Democrático de Direito.”
 
Assim como Léo Pinheiro, Renato Duque, que confessou ter acumulado 10 milhões de dólares em propina, tem intenção de fechar acordo de delação premiada com a Lava Jato, para deixar a prisão, entre outros benefícios.
 
 
Abaixo, a nota completa da defesa de Lula:
 
“Uma nova linha de ataque foi aberta contra Lula pela Lava Jato. Consiste na utilização de pessoas que há muito buscam sair da prisão ou obter benefícios desde que incluam o nome do ex-Presidente em seus depoimentos ou o envolvam em situação de obstrução à Justiça. Estas são as condições para destravar acordos de delação, confirme denúncias feitas por órgãos de imprensa.
 
Em seu depoimento ao Juízo de Curitiba, no dia 10, Lula rebateu as declarações de Leo Pinheiro e Renato Duque – que falaram sem o compromisso de dizer a verdade – e demonstrou que jamais praticou qualquer ato que possa ser entendido como obstrução à Justiça.
 
A inocência de Lula está comprovada após a oitiva de diversas testemunhas, que, estas sim, depuseram sob o compromisso de dizer a verdade, além de outras fartas provas no mesmo sentido.
 
A Força Tarefa da Lava Jato contou uma mentira ao País ao acusar Lula por meio de um PowerPoint exibido em rede nacional e de peças processuais meramente especulativas.
 
Há dois anos, a Lava Jato promove uma devassa na vida de Lula e seus familiares e nenhuma prova foi encontrada simplesmente porque eles não praticaram qualquer ato de corrupção, ao contrário do que foi afirmado pelos acusadores.
 
Qualquer iniciativa da Lava Jato neste momento servirá para reforçar que Lula é vítima de perseguição política por meio de procedimentos jurídicos, prática conhecida internacionalmente como “lawfare” e que atenta contra o Estado Democrático de Direito.”
 
Cristiano Zanin Martins

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