Lula no palco que Moro lhe deu: “Vou voltar!”, por Marcelo Auler

provar que é possivel consertar este país.

Lula no palco que Moro lhe deu: “Vou voltar!”

por Marcelo Auler

A luta jurídica no processo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de comprar e manter em nome de terceiros um apartamento no Guarujá, não sofreu modificações após o depoimentos dele, na quarta-feira, dia 10/05. Como disse Ricardo Kotscho, em 11/05, no artigo Tudo como dantes no front da Batalha do Triplex:

“Com os dois lados repetindo os mesmos argumentos desde o início do processo, o interrogatório nada alterou, por enquanto, onde mais interessa: nos autos. Nem Moro nem Lula vão mudar suas convicções e o que um pensa do outro (…)

É verdade que os dois lados pediram que novas testemunhas fossem ouvidas. Da parte da defesa de Lula, pode até ser interpretado como estratégia para prolongar o processo e evitar que haja tempo de uma dupla condenação até a próxima campanha eleitoral. Mas, quando os procuradores da República solicitam que se ouçam duas novas testemunhas, passa a ser um forte sinal de que ainda lhes faltam provas para conseguirem a tão almejada condenação do ex-presidente.

Não há como não reconhecer, porém, que ao impor a presença do ex-presidente em Curitiba – o depoimento podia ser por videoconferência – Sérgio Moro ajudou a solidificar a liderança do petista que ele, aparentemente, também quer condenar. Moro ofereceu o palco, e o mito Lula reapareceu, como Luis Nassif afirmou em O depoimento de Lula na Lava Jato. Nesse ponto, discordo do Kotscho, quando afirmou, no mesmo artigo:

 

“Todos saíram da audiência da mesma forma como entraram. Foi jogo jogado antes de começar”.

Se no front jurídico tudo ficou como estava, no lado político Lula saiu-se muito bem. Por cima. Graças a Moro, repita-se. Prova disso não foi apenas os milhares de brasileiras e brasileiros que se deslocaram até a capital paranaense, pacificamente – o que surpreendeu a muitos curitibanos, sem dúvida – em apoio ao ex-presidente.

A mobilização teve como meta evitar que Lula fosse preso, tese que o juiz só se preocupou em desmentir na hora que iniciou o interrogatório. Se nesse sentido ela pode ter sido desnecessária – algo que jamais se saberá ao certo – serviu, porém, como trunfo político, para solidificar a liderança do velho metalúrgico, como demonstrado no diálogo direto dele com os manifestantes, na Praça Santos de Andrade, no início da noite da mesma quarta-feira.

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