Lula tenta desvendar autor de e-mail falso usado pela Lava Jato

Foto: Instituto Lula
 
 
Jornal GGN – A defesa do ex-presidente Lula tenta descobrir a identidade secreta do autor de um e-mail enviado a uma funcionária do Instituto Lula, na véspera da operação Aletheia, com a seguinte mensagem: “Todo cuidado é pouco, leia, imprima, repasse ao Lula e apague, não deixe na sua máquina. Ele precisa remeter valor para mim, tratar assunto da família Bumlai. Responda neste e-mail que é fictício e depois apague. Não ligue, telefones grampeados, cuidado. Diga a ele cuidar estão todos os telefones grampeados. Apague.”
 
O GGN mostrou, em reportagem publicada em 27 de março, que esse e-mail foi usado pela força-tarefa da Lava Jato para obter do juiz Sergio Moro autorização para fazer busca e apreensão e conduzir coercitivamente, à sede da Polícia Federal, o blogueiro Eduardo Guimarães. Os investigadores suspeitam que o editor do Blog do Cidadania ajudou a equipe de Lula a apagar eventuais provas de delitos.
 
O e-mail misterioso, disparado, segundo o Ministério Público Federal, na noite anterior à condução coercitiva de Lula, também teria tido essa finalidade.
 
 
A mensagem foi enviada do endereço eletrônico “[email protected]” para “[email protected]”, às 22h17 do dia 3 de março de 2016. O e-mail foi descoberto na máquina da funcionária do Instituto Lula pela Lava Jato após as buscas da Aletheia. Curiosamente, mais de um ano depois desse evento, a Polícia Federal ainda não descobriu quem está por trás do “anna.bumlai”.
 
No despacho em que autorizou as ações contra Guimarães, Moro disse que o e-mail é um “elemento informativo de relevo” para justificar a operação. 
 
A defesa do ex-presidente Lula pediu a Moro, nesta quinta (6), que a empresa Yahoo seja obrigada a informar o número de IP do qual teria partido a mensagem, com a finalidade de descobrir sua autoria.
 
Os advogados Cristiano Zanin e Roberto Teixeira também apontaram que Claudia Troiano não chegou a ler o e-mail, já que ele foi enviado às 22h17 do dia 3 de março de 2016, e a Polícia Federal deflagrou as ações da Aletheia às 6h do dia 4 de março. Além disso, destacou que o e-mail é autointitulado “falso”.
 
“No entanto, esse material tem sido utilizado para embasar providências da Receita Federal e atos de investigação do Juízo da 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba, sem nenhuma verificação prévia sobre a origem e a real intenção do emissor da mensagem”, diz a defesa.
 
Para os advogados, essa investigação que tem Guimarães na mira, na verdade, esconde mais uma “perseguição” contra Lula.
 
Abaixo, a nota completa da defesa:
 
E-mail autointitulado falso e com o aparente objetivo de levantar suspeitas indevidas em relação ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi enviado às 22h17min56s do dia 03/03/2016 para o endereço de uma colaboradora do Instituto Lula. É importante registrar que esse dia foi véspera da busca e apreensão na residência do ex-Presidente, dos seus filhos, colaboradores e na sede do Instituto Lula e antecedeu igualmente sua condução coercitiva.  
 
O e-mail não foi lido pela colaboradora ou por qualquer outro membro do Instituto Lula. Às 6 horas houve a apreensão do computador que recebeu a mensagem e as senhas do provedor foram alteradas pela Polícia Federal.
 
No entanto, esse material tem sido utilizado para embasar providências da Receita Federal e atos de investigação do Juízo da 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba, sem nenhuma verificação prévia sobre a origem e a real intenção do emissor da mensagem. Diante disso, na condição de advogados de Lula, pedimos hoje (06/04) ao Juízo de Curitiba, responsável também pela apreensão do citado e-mail, providências para que, primeiramente, seja identificado o autor do encaminhamento do e-mail.
 
As providências requeridas foram as seguintes:
 
1. Seja oficiado à empresa “Yahoo do Brasil” para que forneça os registros de acesso, endereços de IP de origem, horários GMT de acesso e dados cadastrais fornecidos concernentes ao e-mail [email protected];
 
Após a resposta da empresa, requer-se:
 
2. Seja determinado que o respectivo provedor de internet informe todos os dados disponíveis do usuário que utilizou o referido IP no dia 03.03.2016 às 22h 17min 56s;
 
Após a disponibilização de tais dados, requer-se:
 
3. Seja dada nova oportunidade de manifestação a Lula, para os novos requerimentos cabíveis.
 
A partir de tais providências e com os esclarecimentos feitos, esperamos ver superado mais um elemento de perseguição a Lula, na evidente prática de “lawfare” do qual ele é vítima.
 

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