Marcelo diz que Dilma e Temer sabiam de caixa dois, mas não os acusa diretamente

 
Jornal GGN – Alguns depoimentos de executivos e ex-funcionários da Odebrecht concedidos ao ministro Herman Benjamin, relator do processo de cassação da chapa Dilma e Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram vazados à Folha de S. Paulo. Desses conteúdos, o jornal produziu três reportagens com conteúdos selecionados: “Dilma sabia de caixa dois na campanha, diz Marcelo Odebrecht“, “Marcelo Odebrecht diz que pagou resgate em Angola, Iraque e Colômbia” e “Caixa dois da chapa Dilma-Temer foi entregue em hotéis e flats, diz delator“.
 
A primeira reportagem foi a única antecipada na internet antes da impressão desta sexta-feira (24). Já na quinta, o jornal dedicava espaço no portal online para dizer que a ex-presidente Dilma Rousseff teria conhecimento dos repasses de caixa dois à campanha eleitoral de 2014. Entretanto, apesar de apontar Dilma, a declaração do ex-presidente da companhia foi com base no “achismo”.
 
“Veja bem, Dilma sabia da dimensão da nossa doação, e sabia que nós éramos quem fazia grande parte dos pagamentos via caixa dois para o João Santana. Isso ela sabia”, afirmou Marcelo, a questionamento de Benjamin na audiência.
 
Entretanto, Marcelo não conseguiu comprovar a acusação. “O senhor chegou a conversar com ela?”, questionou o ministro Herman Benjamin. “Não cheguei, ela sabia pelo nosso amigo”, respondeu. “O senhor acha que ela sabia?”, frisou. “Sim”, respondeu.
 
O esquema de arrecadação ilícita teria ocorrido por meio do marqueteiro da campanha de Dilma, João Santana, preso na Operação Lava Jato. Ao mesmo tempo, o ex-presidente da Odebrecht admitiu parte da responsabilidade: “A campanha presidencial de 2014, ela foi inventada primeiro por mim, tá? (…) Eu não me envolvi na maior parte das demais campanhas, mas…eleição presidencial foi…eu conheço ela”.
 
O periódico também tratou de inocentar Temer: Ele [Marcelo Odebrecht] afirmou que jamais recebeu pedido “específico” do presidente Michel Temer e apontou os ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci como interlocutores dos repasses de caixa dois ao PT”.
 
Descreveu que a negociação no jantar oferecido pelo então vice-presidente no Palácio do Jaburu ocorreu com Eliseu Padilha: “Teve um determinado momento, que eu me lembro bem, o Temer saiu da mesa, já no fim do jantar, e aí, eu, Cláudio e Padilha firmamos: ‘Oh, tá bom então. Vai ser doado dez, conforme você já acertou com o Cláudio, Padilha; desses dez, seis milhões vou direcionar para a campanha do Paulo, que ele me pediu, e vocês ficam com quatro para direcionar para os candidatos que vocês quiserem'”.
 
Apesar de não incriminar diretamente o atual presidente, ao contrário do que divulgou o jornal, Marcelo também confirmou que Temer fazia parte das negociações e que ele sabia dos repasses: “Não me lembro em nenhum momento de o Temer ter falado dos dez milhões, ter solicitado um apoio específico. Obviamente que fica aquela conversa de que: ‘Olha, a gente espera a contribuição de vocês; a gente tem aí um grupo que a gente precisa apoiar”.
 
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