Ministério Público do RJ escancara nova falha no caso Marielle

Laudo divulgado pela promotoria não avaliou a gravação original do condomínio; documento foi preparado especialmente para entrevista coletiva

Jornal GGN – A apuração do caso Marielle Franco e Anderson Gomes tem sido marcada por uma série de falhas e desencontros, e o laudo divulgado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro deixou os erros do processo ainda mais claros.

Segundo informações divulgadas pelo jornal El País, o documento que foi anexado aos autos do caso Marielle/Anderson revela que a Promotoria não considerou a possibilidade de adulteração dos arquivos de áudio que tratam da entrada de visitantes no condomínio do presidente Jair Bolsonaro e do ex-policial Ronnie Lessa, acusado de ser o atirador que matou a vereadora.

E foi justamente com base em tais gravações que as promotoras do caso afirmaram, na última quarta-feira, que um dos porteiros mentiu em depoimento ao afirmar que o ex-policial Élcio Queiroz, preso acusado de envolvimento no crime, solicitou autorização na portaria para visitar a casa de Bolsonaro no dia do assassinato de Marielle, em 14 de março de 2018, antes de se dirigir à casa de Ronnie Lessa. O porteiro declarou ter conversado com “seu Jair” sobre o desvio de destino de Queiroz.

Em entrevista coletiva, a promotora Simone Síbilio, uma das responsáveis pela investigação, disse que o porteiro mentiu e que sua versão não condizia com a prova técnica do caso, e que não foi identificada “nenhuma fraude” na gravação periciada pelos técnicos da promotoria nos quesitos investigados.

Contudo, as declarações realizadas pelo funcionário coincidem com as anotações feitas por ele em uma planilha manuscrita de controle de visitantes, mas não com os áudios da guarita de segurança que estão com os investigadores. Na ocasião, o então deputado Jair Bolsonaro estava em Brasília.

O laudo recebido por diversos veículos de imprensa nesta quinta-feira também indica que a exclusão de arquivos de áudio no dia do assassinato não foi considerada na análise, e que os peritos da promotoria não consultaram o equipamento do condomínio.

Assim, eles não poderiam apurar se houve inserção de arquivos com data e hora forjada ou se houve exclusão de arquivos – e uma perícia incompleta não permitiria concluir se não houve nenhum contato do porteiro com Bolsonaro ou com alguém na casa dele.

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4 comentários

  1. Fotos não mentem…
    deve existir em algum “kit milícia” dessa parte do MP a ordem de que só é permitido encontrar quem ou o que quer ser encontrado.

    E encontraram o porteiro, suas anotações obrigatórias sobre a chegada e saída de visitantes, mas dão mais valor a algo que qualquer residentes pode ter acesso e alterar

  2. A morte de Marielle Franco e Anderson Gomes deve ser investigada, apurada e concluída com a prisão dos verdadeiros assassinos, através dos órgãos competentes, ou seja, ação da polícia do Rio de Janeiro no momento do crime; por ser um crime com motivação política/partidária deve ser apresentada denúncia junto Ministério Publico; investigação da polícia federal; análise/reanálise do Ministério Público e definição do sistema judiciário através de ação processual.
    Portanto, emitir parecer sobre este crime através da rede globo e através do governo bolsonaro, só vai prejudicar o andamento deste processo.

  3. Olha a relevância disso:
    “O laudo recebido por diversos veículos de imprensa nesta quinta-feira também indica que a exclusão de arquivos de áudio no dia do assassinato não foi considerada na análise, e que os peritos da promotoria não consultaram o equipamento [original] do condomínio.”

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