Ministério Público paulista impõe censura política a artistas na Virada Cultural

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Foto: Leon Rodrigues/Secom
 
Jornal GGN – Neste final de semana, os artistas que se apresentaram na Virada Cultural, na cidade de São Paulo, receberam da Prefeitura cópias de um documento do Ministério Público estadual, no qual o órgão recomendava que não fossem realizadas manifestações político-partidárias.
 
Agora, depois da 13ª edição do evento, o MP vai analisar manifestações de artistas como Daniela Mercury e Titãs durante as apresentações. 
 
“Eu vou dar uma olhada no que saiu, eu expedi a recomendação, também tenho o dever de verificar. Agora não tenho como te falar se vão ser investigados. Se o que saiu na imprensa caracterizar um abuso, aí eu mesma vou tomar providência”, disse a promotora Karyna Mori. 

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Foto: Reprodução/Facebook
 
 
André Sturm, secretário de Cultura da gestão João Doria (PSDB), afirmou que apenas cumpriu uma determinação ao entregar a cópia do documentos para os artistas. “O Ministério Público não pede, ordena. O MP nos convocou para uma reunião e nos disse que nós tínhamos que notificar os artistas para a responsabilidade deles sobre manifestações que eles fizessem de cunho político”, disse o secretário.
 
“Dissemos que do nosso lado não podíamos e nem iríamos impedir manifestações porque isso é um direito de cada um. Nós não permitiríamos que os palcos virassem palanque, mas que as pessoas fizessem manifestações é direito delas”, afirmou Sturm em coletiva de imprensa após o evento. 
 
Para a promotora diz que o documento pretendia evitar “partidarização e personalização”, o que teria ocorrido no evento em 2016 – que aconteceu em meio ao processo de impeachment de Dilma Rousseff – e nega que houve censura e intimidação. 
 
Ela também disse que há um inquérito para investigar a participação de funcionários públicos durantes os protestos na edição do ano passado. Segundo a promotora, a investigação partiu de denúncia feito pelo vereador Nelo Rodolfo, então líder do PMDB na Câmara Municipal.
 
Na época, muitos shows, como o do rapper Criolo, contaram com protestos contra Michel Temer, que havia assumido interinamente a presidência.  “[A manifestação] ocorreu em vários palcos diferentes e sempre no mesmo sentido e com a mesma formatação. Então a gente está apurando se isso partiu, foi uma iniciativa que partiu ou tenha qualquer participação de funcionários públicos”, disse a promotora.
 
Ela também afirmou que estão sendo investigados membros da Secretaria Municipal de Cultura da gestão de Fernando Haddad (PT). “Se comprovado a participação, intervenção de funcionários públicos na partidarização do evento, pode haver uma responsabilização por improbidade administrativa.”
 
‘MIADA’ CULTURAL
 
A edição 2017 da Virada Cultural foi marcada pela tentativa da gestão municipal de espalhar as atrações pela cidade, reduzindo os shows no centro da cidade, pela baixa adesão do público e pelo cancelamento de alguns dos eventos
 
A cantora Fafá de Belém, por exemplo, era esperada por cerca de 50 pessoas cancelou sua apresentação alegando indisposição. Diversos produtores e artistas reclamaram da organização do evento nas rede sociais
 
“A coisa saiu do controle e a falta de organização, planejamento e boa vontade dessa gestão da prefeitura roubou a cena e deixou todo mundo vendido, trabalhando num evento desastroso de mãos totalmente atadas”, disse Letz Spindola, produtora cultural. 
 
No começo de seu mandato, Doria disse que iria transferir a virada para o autódromo de Interlagos. A gestão mudou de ideia e decidiu colocar atrações teatrais infantis no local. Além de lidar com a chuva e o baixo número de espectadores, os artistas que se apresentaram lá tiveram de dividir espaço com o barulho dos motores, já que foi realizada uma etapa do Campeonato Paulista de Automobilismo no final de semana. 
 
 
O prefeito afirmou que a baixa adesão foi causada pela chuva. “Eu acho que você deveria dirigir essa pergunta a São Pedro. Ele que mandou chuva e frio. Nessas 24 horas da Virada Cultural, 14 horas foram de chuva”, afirmou. 
 
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