Mosquito do “pensei melhor, seu juiz” também picou dono de imóvel alugado a Lula

Jornal GGN – O mosquito do “pensei melhor, seu juiz” não picou apenas os pretensos delatores Léo Pinheiro e Antonio Palocci. Primo distante de José Carlos Bumlai, Glaucos da Costamarques também decidiu mudar seu depoimento sobre os fatos relacionados a um dos processos contra Lula que tramita nas mãos do juiz Sergio Moro.

Em vídeo divulgado no canal do Estadão no Youtube, Glaucos agora relata que comprou um apartamento vizinho ao de Lula, em São Bernardo do Campo, em meados de 2010, a pedido de Bumlai. Era para ser um “empréstimo”, pois Bumlai alegou não ter dinheiro à época para efetuar a compra, que girou em torno de R$ 504 mil.

O imóvel já era alugado para a Presidência da República até o fim do mandato de Lula. A partir de fevereiro de 2011, segundo contrato firmado com Marisa Letícia, o petista deveria desembolsar os valores da locação. Mas, segundo Glaucos, Lula não pagava o aluguel.

“Aguardei. Não me pagaram o primeiro mês, não me pagaram o segundo mês. Fui falar com o o Zé Carlos (Bumlai) para saber o que aconteceu. Ele falou: ‘Olha Glauco, não esquenta com isso aí. Isso aí mais para frente a gente acerta'”, comentou.

A situação perdurou de fevereiro de 2011 a novembro de 2015, quando Bumlai foi preso na Lava Jato. Segundo o primo, que também é réu na mesma ação penal que atinge Lula, o advogado Roberto Teixeira comunicou a ele pessoalmente que os valores passariam a ser pagos a partir daquele mês. As parcelas atrasadas nunca foram pagas, disse.

O próprio juiz Sergio Moro notou que Glaucos mudou o depoimento prestado anteriormente à Polícia Federal. O primo explicou que decidiu contar outra versão dos fatos diante do juiz porque “esperava a hora certa”.
Ele alegou que não contou logo de cara os fatos que implicam Bumlai e Roberto Teixeira porque tinha medo de não receber o valor referente à compra do apartamento. “Se eu falasse algo, ele não me pagava. Eu pensei em esperar a hora certa, que é essa hora aqui, e estou retificando o falei.”
Moro quis saber se Teixeira vinculou o início dos pagamentos à prisão de Bumlai, ao que Glaucos respondeu que “não, ele não deu explicação”.
Mais do que dizer à PF que Lula pagava os aluguéis em dia, Glaucos agora também afirma que fraudou declarações de imposto de renda durante anos, para sinalizar que recebia os valores correspondentes ao negócio feito em favor do petista.

PRÉDIO INSTITUTO LULA
No mesmo depoimento, Glaucos ainda contou como participou da compra de um imóvel que a Odebrecht afirma ter comprado para servir à construção do Instituto Lula, em 2010.
Segundo Glaucos, Bumlai disse que Roberto Teixeira tinha um “bom negócio” em vista, que envolvia a compra de um prédio em São Paulo que serviria a uma manobra chamada de “flip” (quando se compra barato para vender barato, mas com uma pesquena margem de lucro).
Glaucos diz que, no final, não preciso desembolsar o dinheiro envolvido na compra (cerca de R$ 6,5 milhões, informou) porque assinou um contrato autorizando que os proprietários vendessem diretamente à DAG – empresa que foi usada pela Odebrecht na triangulação.
O primo de Bumlai afirma ter recebido R$ 800 mil no negócio e aponta que Roberto Teixeira ganhou cerca de R$ 234 mil em honorários.
Moro ironizou o relato: “O senhor não acha que recebeu 800 mil reais sem fazer nada? Quero um advogado desse pra mim”, disparou.
Quando o juiz de Curitiba encerrou as perguntas, Glaucos ainda acrescentou que, meses depois de ter recebido os R$ 800 mil, Teixeira teria solicitado que os recursos fosse repassados, em espécie, ao Instituto Lula. O primo afirma que tem provas dos saques.
Nessa ação penal, Lula, Bumlai, Glaucos, Teixeira, Marcelo Odebrecht e outros são acusados de participar de um esquema que beneficiou o ex-presidente com propinas que têm origem em 8 contratos da empreiteira com a Petrobras.

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