Na Justiça de Minas, PF encontra barreiras para acusar Aécio na Cidade Administrativa

Depoimentos de todas as empreiteiras do consórcio atingem o senador tucano. Mas as duas empresas que fechariam o caminho dos repasses apresentam notas fiscais em defesa
 

Foto: Divulgação
 
Jornal GGN – O inquérito que investiga os desvios nas obras da Cidade Administrativa durante o governo de Aécio Neves em Minas Gerais tramita agora na Justiça do Estado, aonde Aécio mantém influência desde a sua gestão em 2003. Se parte das delações acusam, sem titubear, o tucano por receber até 3% de caixa dois dos contratos com a Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, notas fiscais podem colocar em risco a investigação.
 
Na última instância tampouco o cenário é diferente: parte das apurações contra o senador se vêem ameaçadas com a decisão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), que em seu plantão judicial reduziu o tempo limite das investigações contra o tucano [leia aqui].
 
Na Justiça do Estado não há notícias de que o tempo limite dado para os investigadores concluirem a apuração será menor. De qualquer forma, as delações são levadas a cabo há dois anos e, apesar de a Polícia Federal deter documentos e diversos depoimentos que comprovam os ilícitos, as empresas envolvidas apresentam documentos que sustentariam suas defesas.
 
Mais próximos de revelar os intermediadores dos repasses, como as empresas locais Cowan e Alicerce, que teriam sido subcontratadas para servirem de fachada, o depoimento do executivo da Odebrecht, Carlos Berardo Zaeyen, responsável pelos contratos do consórcio nas obras da cidade administrativa nega a utilização dessas empresas na Cidade Administrativa.
 
A delação de Sérgio Neves, ex-diretor superintendente da Odebrecht em Minas, denunciou que o esquema contava com as empresas a mando de Oswaldo Borges, então presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), conhecido como Oswaldinho, apontado como o “tesoureiro informal” de Aécio em ilícitos.
 
Neste caso, Oswaldinho foi acusado de intermediar os desvios antes mesmo da licitação, de acordo com Sérgio Neves, foi Oswaldo quem “determinou que adicionalmente nós deveríamos contemplar duas empresas locais”. De acordo com o delator, o operador de Aécio determinou um repasse de 3% de um contrato de R$ 360 milhões com Odebrecht, Queiroz Galvão e a OAS para alimentar as campanhas políticas do agora senador tucano.
 
Outros delatores também endossam as acusações dos repasses, como o próprio ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, que contou que a campanha de Aécio recebeu os 3% do valor de contratos com a empreiteira por ter favorecido o cartel nas obras de Minas.
 
Em seguida, foi a vez de Otávio Marques de Azevedo, empresário da Andrade Gutierrez, que revelou em outubro de 2016 que doou R$ 20 milhões à campanha presidencial do tucano de 2014, a pedido de Oswaldinho.
 
Da mesma forma, a delação de Léo Pinheiro, da OAS, também mostra o tucano cobrando propinas em cima dos contratos das obras da Cidade Administrativa, e a empreiteira, por sua vez, teria pagado 3% sobre o valor da construção que custou um total de R$ 2,1 bilhão. O senador governava Minas Gerais, entre 2003 e 2010, quando foram feitas as obras da Cidade Administrativa no Estado [acompanhe aqui].
 
Até então, as porcentagens e mesmo valores já estavam claros. Faltavam os documentos que pudessem indicar o caminho destes repasses. E é neste procedimento que aparecem as empresas locais Cowan e a Alicerce, delatadas por Sérgio Neves. Segundo ele, elas foram subcontratadas, receberam quantias, mas não prestaram nenhum serviço.
 
“Custou R$ 5 milhões no contrato. Fizemos um contrato para a prestação de serviço de R$ 5 milhões fictícios. (…) Fictícios, sem a prestação de serviço com a Cowan e R$ 2,6 milhões com a Alicerce, um contrato de consultoria sem a prestação de serviços”, narrou.
 
Os representantes das duas empresas negaram os ilícitos em depoimentos à Polícia Federal no último ano. E apresentaram notas fiscais, que para os delegados da Polícia Federal, seriam frias. Aécio também nega as acusações.
 
 

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