Escritório de irmão de procurador da Lava Jato atuou em delação contra Dilma

Empresa de advocacia de Rodrigo Castor de Mattos, irmão de membro da força-tarefa de Curitiba, atua na delação de Mônica Moura e João Santana desde 2016, por baixo dos panos, ao contrário do que afirmou o MPF

Jornal GGN – A divulgação de um documento usado como prova da delação de Mônica Moura contra Dilma Rousseff acabou se tranformando em um verdadeiro tiro no pé da Lava Jato, ao desnudar mais um episódio sobre as relações polêmicas entre “parentes de procuradores e magistrados” e a operação.

O documento é uma ata notarial lavrada em 13/07/2016, a pedido da defesa de Mônica, e entregue ao Ministério Público Federal para embasar o que foi delatado após a empresária ser presa, em fevereiro de 2016. Menos de 15 dias após esse registro em cartório, Mônica e João Santana foram soltos por determinação de Sergio Moro.  

Na ata, consta que quem foi ao cartório, representando Mônica Moura, foi o “universitário” Felipe Pedrotti Cadori. Ele excluiu a informação de sua página pessoal no Facebook recentemente, mas a Revista Fórum conseguiu capturar imagem [acima] que atesta que o estudante de Direito da PUCPR é estagiário do escritório Delivar de Mattos Advogados Associados.

Um dos sócios do escritório é o advogado Rodrigo Castor de Mattos, irmão do procurador da Lava Jato Diogo Castor de Mattos. O parentesco foi revelado pelo Painel da Folha, no último sábado (13), quando o jornal noticiou que Rodrigo é o mais novo defensor de João Santana perante Sergio Moro.

Questionado, o Ministério Público Federal respondeu não haver problemas porque além de Diogo não ter atuado na delação dos marqueteiros, o escritório do irmão do procurador só entrou com pedido para ser o representante legal do casal no dia 17 de abril de 2017. A delação foi concluída mais de 30 dias antes, em 8 de março de 2017.

Mas o elo entre o estagiário do escritório de Rodrigo Castor de Mattos e a equipe que negociou a delação de Mônica Moura e João Santana [oficialmente formada pelo escritório de Alessi Brandão e o advogado Juliano Campelo Prestes] prova o contrário: que o escritório do irmão do procurador atua desde 2016, ainda que de maneira informal.

Esse não é primeiro caso de parentes de membros da Lava Jato que atuam na operação junto a delatores. O GGN já mostrou que a família do criminalista Marlun Arns, contratado até por Eduardo Cunha, tem relações com a esposa do juiz Sergio Moro.

LEIA MAIS: O caso das APAEs, os Arns e a esposa de Sergio Moro, por Luis Nassif

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