“Não se trata de Deltan, mas de luta contra corrupção”, diz Dallagnol sobre julgamento

O procurador da Lava Jato em Curitiba disse que julgamento é "se agentes da lei vão poder continuar lutando contra a corrupção sem medo de sofrer represálias"

Jornal GGN – Na sequência da agenda de angariar apoio e auto-defesas antecipada à imprensa, o coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol apelou a que o seu potencial afastamento “não se trata de Deltan”, mas de julgar se “agentes da lei vão poder continuar lutando contra a corrupção sem medo de sofrer represálias”. Dallagnol sofrerá o julgamento que poderá afastá-lo do cargo pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) amanhã.

Em entrevista concedida ao Uol, nesta segunda (17), Dallagnol retorceu o sentido do processo que é acusado pelo órgão que fiscaliza a atuação de integrantes do Ministério Público, e vitimizou-se, afirmando que o seu julgamento é na verdade contra a “luta pela aplicação da lei” e “contra a corrupção”.

“Quando você coloca esse afastamento, o que esse afastamento pode significar, na verdade é um exemplo pro futuro, é se agentes públicos, agentes da lei vão poder continuar lutando pela aplicação da lei, vão poder continuar lutando contra a corrupção sem medo de sofrer represálias”, disse.

“Amanhã se coloca uma decisão sobre o meu potencial afastamento que não se trata de Deltan. Quando você olha essa decisão que vai ser proferida, que vai ser analisada pelo CNMP tem o pedido de dois investigados que pedem a minha punição,e o meu afastamento, mas o que estão sendo julgadas não são irregularidades da Lava Jato, (…) o que existe contra mim são dois processos disciplinares por opiniões manifestadas publicamente no processo democrático”, continuou.

Segundo Dallagnol, que já acumula um total de 19 representações por infração disciplinar no CNMP, “não tem uma sustentação técnica” contra ele para justificar seu afastamento, que como ele caracterizou é “com base em nada” e que o que motiva o seu julgamento seria somente uma “pressão por várias pessoas da ordem política sob o Conselho”.

“A questão é: deve valer a análise técnica dos fatos, das provas, da lei, dos precedentes ou deve valer a pressão que está sendo exercida por várias pessoas da ordem política sob o Conselho Nacional do Ministério Público, é essa a questão em jogo”, seguiu.

Ao falar sobre o famoso power point preparado e apresentado por ele na denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dallagnol admitiu que “erraram”, mas segundo ele por somente “não perceber” o tamanho da repercussão que tomariam os slides que desenhavam todos os esquemas de corrupção investigados pela Operação Lava Jato recaindo contra Lula.

“Qual foi o erro daquele episódio, da gente não perceber que ações envolvendo o ex-presidente Lula tomam uma dimensão muito grande. Se a gente tivesse percebido isso, a gente certamente teria feito de um modo diferente. Agora se me perguntar, foi errado? Não foi errado. Só foi um jeito que não foi conveniente, não repercutiu bem”, disse, defendendo-se.

Foto: Reprodução

“A gente já tinha feito uma série de coletivas apresentando denúncias em momentos anteriores, em várias delas a gente tinha usado power point, a gente tinha usado apresentação, com o objetivo de explicar como funcionam as investigações, os processos, como foram os atos de corrupção”, continuou, sem admitir erros nas acusações.

E minimizou a capacidade de compreensão da imprensa para o tema tratado na investigação: “Talvez agora seja óbvio, mas eu lembro que lá no começo da Lava Jato, no final de 2014, os jornalistas não entendiam operações complexas de lavagem de dinheiro, como que empreiteiras tinham subcontratado e pagavam milhões para empresas de fachadas e como o dinheiro chegava nos políticos, e a gente fazia vários power points, com gráficos, com desenhos, explicando, essa era nossa rotina, a gente foi coerente com a nossa história.”

Ainda, na entrevista, Dallagnol voltou a criticar diversas medidas tomadas tanto pela Corte Suprema, o STF, quanto legislativas, chamando-as de “retrocessos” aos supostos avanços que estariam sendo implementados pela Lava Jato de Curitiba.

“O que a gente vê é que teve a decisão que barrou a prisão em segunda instância, teve uma decisão que determinou que os casos todos de corrupção quando tem a ver com caixa dois eleitoral fossem remitidos para a Justiça Eleitoral, (…) então a gente vê um ambiente de retrocessos, uma série de coisas que estão acontecendo que importam em reais e efetivos retrocessos em relação aos avanços anticorrupção no passado.”

 

 

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