“Não vejo com clareza excessos”, diz Sergio Moro sobre atuação na Lava Jato

Jornal GGN – No mesmo dia em que venceu uma ação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região ajuizada por Lula contra abuso de autoridade, o juiz Sergio Moro disse em entrevista ao Valor que não vê excessos nas ações da Lava Jato. O magistrado denotou que o modus operandi da força-tarefa do Ministério Público Federal e Polícia Federal e as decisões do Juízo são sempre proporcionais aos delitos praticados por agentes envolvidos com a Petrobras.

“Não vejo com clareza excessos. Pela dimensão dos crimes em investigação e pelo caráter sistemático deles, não vejo algo que possa ser descrito como excesso”, respondeu Moro.

Questionado sobre a que atribui o sucesso da Lava Jato, Moro disse que é preciso reconhecer que “isso vem de antes”, ou seja, que operações como o Mensalão – que desestabilizou o governo Lula – abriram caminho para o que a “República de Curitiba” faz hoje. Além disso, acrescentou Moro, o apoio da opinião pública (incentivada pelos meios de comunicação de massa) também foi essencial.

“É o que eu disse no começo. Não é uma coisa assim, que caiu do céu, né? É uma coisa que vai se desenvolvendo. E o apoio da sociedade civil organizada. Milhões de pessoas saíram às ruas. E a dimensão dos fatos [revelados pela investigação].”

Para Moro, é “difícil prever o futuro” e dizer se a Lava Jato se arrastará por anos a fio ou se será vítima de alguma investida mais incisiva da classe política. Para ele, contudo, “o trabalho que foi feito até agora é difícil de ser perdido” e “a grande questão é até onde vai [a Lava Jato], entendeu? Para onde se pode ir.”

Moro ainda disse que não faz ideia de quanto tempo levará para encerrar os processos da Lava Jato que estão em suas mãos. “Normalmente o tempo de duração de uma ação penal é de seis meses a um ano, aproximadamente. Até o julgamento. Mas tem investigações em andamento, e a conclusão delas é mais imprevisível.”

Na quinta (9), o TRF-4 se recusou a julgar uma queixa-crime contra Moro por abusos como a condução coercitiva de Lula e o vazamento de grampo envolvendo Dilma Rousseff. A corte justificou que duas ações apresentadas por pessoas do povo com o mesmo objeto foram arquivadas no passado e um processo só seria instaurado se novos fatos surgissem, o que não ocorreu. 

Ao proferir a sentença a favor de Moro, um dos desembargadores ainda reafirmou o caráter excepcional da Lava Jato e disse que diante de uma “operação complicada” não se deve esperar uma postura “ordinária” da força-tarefa ou do juiz.

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