O debate que coloca em jogo dois direitos fundamentais, o de expressão e à privacidade

Enviado por Adamastor

Do Facebook

Por Criscia Giesbrecht 

Chico Buarque (Facebook)

Estamos diante de um debate em que estão em jogo dois direitos fundamentais em uma democracia: o direito de expressão e o direito à privacidade. A segunda tem se tornado cada vez mais rara. Vale a reflexão: até que ponto um terceiro tem o direito à livre expressão dos fatos da sua vida? Até que ponto a esfera particular de uma figura pública interessa tanto pra narrar sua história de forma fidedigna? Até onde o direito de expressão de um não invade o direito de privacidade do outro? Onde está o limite? O que sentiu Gloria Perez ao ver a vida e a morte de sua filha ser minuciosamente contada em um livro? Uma biografia não autorizada garante a realidade dos fatos? O autor não irá querer um livro extremamente comercial pra vender mais? Quem ganha? Quem perde?
Alguns dizem que cabe ao “ofendido” pela biografia não autorizada recorrer à justiça para o devido ressarcimento de danos, etc. Danos? Quem mede os danos? A perna mecânica do Roberto Carlos tem um significado pra mim. Pra ele com certeza o significado é outro e, ainda, carregado de significantes. Só ele tem a dimensão do que isso representa intimamente. Só ele sabe o que isso provoca. Só nós mesmos sabemos o que nos trava a garganta, o que nos desconcerta e o verdadeiro significado disso em nossa vida intima. Pra mim fica a contribuição histórica desses grandes artistas para a construção da democracia nesse país. E, sinceramente, a mim não interessa se ele fumou, bebeu, traiu… A vida íntima desses artistas não diminuem a importância de suas obras.
Direito de privacidade? Eu, simples mortal, a quem a vida não é interessante pra ninguém, desejo e cultivo e defendo. Sempre!

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

7 comentários

  1. A batalha das biografias pode

    A batalha das biografias pode nos ensinar alguma coisa?

    Estou cortando um dobrado para conseguir formar opinião a respeito dessa polêmica cabeluda apelidada na mídia de “Batalha das biografias”. Tenho lido, me inteirado sobre o assunto por onde posso, mas não está sendo nada fácil. Acho que é um dos assuntos mais difíceis que me lembro, de tomar uma posição. O embate entre liberdade de expressão, o grande pilar da democracia desde a Revolução Francesa, e a preservação da vida privada, a garantia que o indivíduo tem da ditadura coletivista quando esta invade a sua última reserva de proteção da identidade, é briga de cachorro grande, difícil de se posicionar de imediato.

    Minha inclinação inicial é a de que se proíba terminantemente biografias não autorizadas. Acho que a vida pessoal, de quem quer que seja, deve ser absolutamente sagrada. Mas, me informando sobre o assunto, estou mudando um pouco meu pensamento. 

    Continuo a favor da proibição, mas creio que para essa ser efetiva e universal deve vir também acompanhada de outras medidas contra os abusos que podem causar estragos não só na imagem e na honra, mas na integridade física, financeira e até psicológica das pessoas. 

    Quem não se lembra do caso da Escola Base em que os donos foram linchados na mídia, acusados de pedofilia, e no final de todo aquele escarcéu, julgados inocentes de tudo o que lhes imputaram. Suas vidas estão arruinadas até hoje. 

    E no caso do livro de Monteiro Lobato, Reinações de Narizinho, onde a mídia e muitos formadores de opinião foram a favor de que o MEC não fizesse sequer uma nota de referência a trechos de racismo explícito. Os danos que isso pode causar numa criança negra, ainda em formação de sua identidade, podem ser indeléveis, muitos alegaram.

    E o que dizer do humor politicamente incorreto, onde piadas homofóbicas, outras envolvendo estupro, nazismo e tudo de mais abjeto “passam batidas”, não se respeitando o direito das mulheres, judeus e demais minorias?

    Enfim, pensando de forma mais abrangente, sou a favor sim de que vida privada seja preservada, mas que isso venha ensejado numa garantia total ao direito a vida da pessoa humana em toda a sua plenitude. 

    Aí que entra a questão (por isso é um caso complexo que exige de nós uma reflexão bastante cuidadosa). Vivemos numa sociedade aberta, jamais, na história da humanidade se experimentou tanta liberdade como nos dias atuais. Somos todos públicos e essas fronteiras (com o privado), principalmente depois do advento das redes sociais, estão cada vez mais se diluindo.

     Não vejo isso com tanto otimismo como algumas pessoas, muito pelo contrário, sou bastante temerário desse excesso de invasão e evasão da vida privada. Acho uma coisa pesada (espiritualmente falando) a profusão de flashes, paparazzis de si mesmos nesse gigantesco mercado das notícias privadas, onde cada um de nós, de alguma forma, se expõe para o mundo e espia o mundo dos outros. Como disse de forma brilhante o filósofo Zygmunt Balman, analisando o fetichismo da mercadoria em Marx, nós nos transformamos hoje na própria mercadoria, empacotada, embalada para o consumo alheio. 

    Faço essa ponderação para mostrar que, pensando melhor, começo a perceber que a minha vontade dentro dessa estória, não passa de uma utopia na sociedade moderna . É impossível dar conta hoje de tanta usurpação da liberdade, falta de bom senso, mentiras, leviandades, blasfêmias, agressões de imagem etc. O tecido social está esgarçado a tal ponto que já não conseguimos mas sequer perceber as evasões e as invasões nesse caldeirão alucinado de vozes, falas e imagens que consumimos e somos consumidos no “mundo da representatividade” que escolhemos viver como grupo social. 

    Sendo assim, concluo dizendo que, na minha visão romântica, permaneço contra a biografias não autorizadas, mas na minha visão realista, pé no chão,  acho que elas devem ser liberadas, simplesmente por ser impossível dar conta de tudo que (justa e compreensivelmente, ressalte-se)  teria que vir a reboque. 

    Acho que faz pare do processo civilizatório a humanidade de tempos em tempos ir parando para refletir e avaliar a possibilidade de novas formas de convívio mais adequadas a seu tempo histórico. Quem sabe talvez não estejamos precisando mesmo ser provocados (no bom sentido) a nos tornar sujeitos mais críticos e reflexivos? Sujeitos que não acreditem em tudo aquilo que se publica e se fala por aí nessa avalanche informacional que se tornou o nosso mundo. O filósofo Leandro Konder dizia a pouco tempo atrás que a sociedade moderna estava se caracterizando “pela atrofia da capacidade de duvidar”. Ele disse isso numa era pré-redes sociais. 

    Se de fato ele tinha razão há 15 anos, e acredito piamente que tinha, e se isso foi recrudescendo, vocês conseguem notar a enorme distância, o gigantesco fosso que se formou entre o sujeito e o conhecimento? Num mundo fantasioso das mil versões e verdades, onde a produção de discursos e efeitos imagéticos  foi democratizada de forma veloz nas redes sociais, a capacidade crítica das pessoas não pode caminhar na direção oposta. Mais do que um contrassenso, seria desperdiçar uma oportunidade histórica para crescermos e evoluirmos de forma saudável do ponto de vista do conhecimento compartilhado.

    Assim, agora ainda mais convicto da minha opinião, penso mesmo que deve-se mesmo liberar as biografias e tudo o mais, protegendo apenas as crianças e o que possa estar de alguma forma relacionado a chaga da escravidão, que, a meu ver, deveria ser encarada aqui no Brasil como o Nazismo na Alemanha. 

    Acho que, não tem mais jeito, a sociedade terá mais hora menos hora que se adaptar a essa nova realidade que é inexorável. Todos falamos o que quisermos em todos os canais e fóruns de que dispomos. Mídia oficial, biógrafos, escritores, blogueiros, cidadãos comuns sem seus facebooks e twitters, somos todos públicos e produzimos visões e versões sem nenhuma restrição ou filtro. Duvidar do que se ouve, ir checar, correr atrás das informações pode ser um grande passo civilizatório no país das adesões imediatas, com uma população de baixo grau de criticidade, das mais manipuláveis do mundo.

    Os nascidos nessa nova sociedade, aprenderão a lidar com isso. Nas salas de aula os alunos serão orientados por seus mestres a duvidar de tudo, a questionar as fontes ir atrás do conhecimento. Saberão que tudo o que se diz, se escreve e se posta deve ser criticado. Uma nova educação surgirá, mais democrática e de qualidade. E aos mais antigos, como eu, que se incomodarem com versões fantasiosas que porventura possam ferir a sua honra, fica a sugestão daquele velho e famoso grego das palavras sábias. Quando questionado pelos seus discípulos se não iria reagir as pessoas que estavam o difamando pela cidade, Sócrates apenas disse: “Não farei nada, pois o que elas proferem não diz respeito a mim”

  2. O Dep. Jair Bolsonaro apóia o

    O Dep. Jair Bolsonaro apóia o movimento de Caetano, Chico, Roberto Carlos, Gil e Paula Lavigne pela censura prévia de biografias sem autorização. Não preciso de maior argumento pra saber que isso é errado.

    Se o que esses caras querem sacramentar aqui existisse no mundo, a Humanidade só conheceria Adolf Hitler como um grande estadista alemão.

  3. Acho que essa é uma daquelas

    Acho que essa é uma daquelas questões que não têm uma so resposta. Uma verdade. Eu, por prinicipio, sou contra a censura, agora, quando se trata dea vida privada, acho que fica complicado simplesmente dizer que se esta censurando isto ou aquilo. Ha quem não se sinta incomodado ou se posta indiferente à uma biografia não autorizada. Ha os que não querem que certos fatos de suas vindas sejam do conhecimento publico. 

    Mas estamos numa época de tanto despudor, de tanta exposição, de reality show, que para muitos, uma biografia a mais ou a menos, não faz a menor diferença. Eh so mais uma forma de auto-promoção ou de ganho material. 

    Os ultimos acontecimentos dão a refletir o tipo de justiça que tempos, as leis sobre a questão e a sociedade de facebook, que pensa que a vida deve ser um livro aberto. Ainda temos muito o que conversar a respeito.

     

  4. Ao contrario do Adilson, sou

    Ao contrario do Adilson, sou frontalmente contra essa proibição de biografias não autorizadas. A rigor, creio que uma biografia autorizada não passa de um conto de fadas. Figuras publicas, sejam elas artistas, atletas, políticos, ou o que seja, tem na essência sua vida privada amalgamada à sua vida pública.  Ainda que resista, com todas as forças, ater sua intimidade devassada. Mesmo que tome atitude radical, como fez Greta Garbo, que sumiu do mapa para se proteger.

    Estranho que se confunda uma “biografia não autorizada” com um livro de fofocas. Afinal, bisbilhotices sobre a vida dos famosos estão sempre nos noticiários, revistas, jornais, e jamais se cogitou de censurá-las. E não me venham dizer que biógrafos tem interesse econômico como se a midia não os tivesse. Uma coluna de mexericos em qualquer jornal impulsiona a venda como qualquer outro objeto jornalístico.

    Todos que se expõem a uma vida pública, no palco, no cinema, na TV ou no Congresso Nacional sabe que suas ações ainda que estritamente privadas, tem repercussão naquilo que é o trabalho de sua vida. Ambicionar a privacidade total me parece um tanto cínico, senão claramente autoritário.

    Lembro-me sempre, nessa discussão, das atitudes da Xuxa com relação a divulgação de fatos e fotos de sua vida anterior à de rainha dos baixinhos. Litígios de todo tipo já correram nos tribunais, em que a apresentadora tenta esconder ou mesmo eliminar, simplesmente, de sua própria história, circunstancias de vida que não lhe parecem adequadas a sua posição diante de seu público infantil. E a tentativa de construir uma imagem falsa, de pessoa sem passado, além de demandar tratamento psiquiátrico,  visa construir uma fraude para enganar seus admiradores.

    Nesse debate, fico com a liberdade absoluta de expressão.. Os incomodados que se mudem, ou melhor, que se recolham à vida privada. Afinal, ninguém se interessa por ninguém, melhor dizendo, ninguém jamais se interessaria em escrever a minha biografia. Ou não?

    • Cara Zuleic,
      eu tb sou contra

      Cara Zuleic,

      eu tb sou contra a proibição..acho que vc viu só o começo da minha argumentação, onde estava ainda com dúvidas e formando opinião a respeito. 

      abraços

       

  5. Só que não!!! Ou não.

    A divulagação de dados pessoais, segredos de familia só é bonitinho quando é com “OS OUTROS”…

    Mas será que os curiosos interessados no alheio gostariam de ver a sua família desnudada em uma biografia???

    Ou mostrariam a real face da hipocrisia que escondem sob uma máscara de falso moralismo que usam no dia-a-dia???

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome